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Por Redação SciAdvances
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A endometriose é uma doença ginecológica benigna caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial – que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina. Essa localização indevida do tecido endometrial pode provocar inflamação crônica e tem taxa de prevalência estimada entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
A endometriose pode causar dor pélvica e intestinal, cólica menstrual intensa, dificuldade para engravidar, depressão e até lesões em ovários, peritônio, intestino e bexiga.
Como não existem biomarcadores específicos e as causas não são completamente conhecidas, o diagnóstico precoce é difícil. As terapias atuais, entre elas a terapia da dor, terapia hormonal e cirurgia, podem aliviar os sintomas, mas não curam a doença.
Projeto estuda microbiomas humanos para avançar no conhecimento sobre a endometriose
Melhorar o diagnóstico e o tratamento da endometriose. Este é o objetivo do projeto UNSEEN (‘Desvendando o Papel dos Microbiomas Humanos na Endometriose’), coordenado pela Dra. Federica D’Amico, pesquisadora do Departamento de Farmácia e Biotecnologia da Universidade de Bolonha, na Itália. O projeto recebeu recentemente um aporte de € 1,3 milhão (cerca de R$ 8 milhões) para avançar nos estudos sobre a endometriose.
Evidências recentes sugerem que os microbiomas vaginal e intestinal podem desempenhar um papel significativo na saúde reprodutiva feminina e influenciar o início e a progressão da doença. Alguns dos microrganismos desses microbiomas estão envolvidos em processos pró-inflamatórios e no equilíbrio hormonal da hospedeira por meio do metabolismo do estrogênio, um dos gatilhos da doença.
No entanto, a pesquisa sobre a influência dos microbiomas na endometriose ainda é limitada e baseada principalmente em modelos animais, o que torna necessários estudos clínicos aprofundados.
Estudo observacional multiômico
O UNSEEN é um estudo observacional que combina diferentes disciplinas da biologia molecular – a chamada abordagem ‘multiômica’ – e será conduzido por cientistas da Universidade de Bolonha, em colaboração com pesquisadores do Hospital Universitário de Bolonha (Policlínico Sant’Orsola).
A equipe de pesquisa pretende analisar microRNAs para identificar as vias celulares envolvidas na doença; estudar o papel patogênico dos microbiomas vaginal e intestinal in vitro; identificar uma lista de biomarcadores e desenvolver uma abordagem diagnóstica não invasiva e rápida baseada nesses biomarcadores, entre outras ações de pesquisa.
Os pesquisadores esperam que o projeto viabilize o diagnóstico precoce e abra caminho para tratamentos inovadores baseados nos microbiomas humanos, com o objetivo final de melhorar a qualidade de vida das mulheres que sofrem com a endometriose.
Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Outros avanços

Universidade do Texas em Austin

Instituto de Tecnologia de Massachusetts

