Com publicação científica

Exposição de plantações a compostos farmacêuticos
Estudo mostra onde resíduos de fármacos eventualmente presentes na irrigação podem ficar retidos em vegetais
Após a alimentação de plantas em laboratório com água contendo compostos farmacêuticos, pesquisadores identificaram onde estes compostos e seus subprodutos ficaram armazenados

Freepik (Imagem gerada por Inteligência Artificial)

Por Redação SciAdvances

14 de março de 2026, 13:08

Fonte

Áreas

Agricultura, Agronomia, Biologia, Biotecnologia Alimentar, Botânica, Ciência Ambiental, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Ciências Agrárias, Gestão Ambiental, Gestão de Resíduos, Metabolismo, Qualidade da Água, Qualidade dos Alimentos, Saneamento, Saúde Ambiental

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Exposição de plantações a compostos farmacêuticos

Com as secas cada vez mais frequentes, em algumas regiões muitos agricultores têm recorrido ao uso de águas residuais tratadas para a irrigação de suas plantações. No Brasil, esta prática ainda é pouco utilizada, mas tem grande potencial de crescimento, especialmente em regiões de escassez hídrica.

Porém, mesmo após o tratamento, as águas residuais podem conter resíduos de medicamentos, incluindo medicamentos psicoativos usados no tratamento de transtornos mentais, que podem acabar incorporados aos alimentos irrigados.

Compreender como e onde estes resíduos indesejáveis acabam incorporados aos alimentos é um avanço importante tanto do ponto de vista de segurança do consumidor quanto de ações regulatórias para preservar a qualidade dos alimentos, com níveis de contaminantes dentro de limites aceitáveis.

Avanço: onde resíduos farmacêuticos podem se fixar em plantas após irrigação com águas residuais tratadas

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, estudaram onde os compostos farmacêuticos presentes na água da irrigação, bem como seus subprodutos, costumam se concentrar no tomateiro, na cenoura e no pé de alface.

A pesquisa faz parte de um esforço para analisar a segurança do uso de águas residuais tratadas na irrigação de plantações.

Segundo Daniella Sanchez, doutoranda da Universidade Johns Hopkins e autora principal da pesquisa, o estudo proporcionou um avanço na compreensão sobre onde e como as espécies cultivadas metabolizam, ou decompõem, os agentes presentes na água.

Foram estudados quatro fármacos psicoativos frequentemente encontrados em águas residuais tratadas: carbamazepina, lamotrigina, amitriptilina e fluoxetina, usados ​​em tratamentos de depressão, transtorno bipolar e convulsões.

Em um ambiente controlado, os pesquisadores alimentaram tomateiros, cenouras e pés de alface com uma solução líquida de crescimento composta por água ultrapura, sais, nutrientes e um dos quatro medicamentos durante um período de até 45 dias.

Após esse período, foram coletadas amostras de diferentes tecidos de cada planta. Então, análises químicas avançadas ajudaram a determinar como os medicamentos são absorvidos pelas plantas, quais subprodutos as plantas produzem a partir deles e onde esses subprodutos químicos acabam ficando retidos na planta.

Boa notícia para o tomate e cenoura, nem tão boa para a alface

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Autores/Pesquisadores Citados

Doutoranda em Engenharia Ambiental na Universidade Johns Hopkins
Professor de Engenharia Ambiental na Universidade Johns Hopkins

Instituições Citadas

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