Com publicação científica

Dr. Yao Yao, Laboratório do Professor Joerg Lahann, Universidade de Michigan
Microscopia confocal de varredura a laser mostra nanopartículas proteicas carregadas com plasmídeo (pontos vermelhos) em células hepáticas humanas (verdes, com núcleo azul)
Por Redação SciAdvances
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As terapias genéticas têm se mostrado extremamente eficazes no tratamento de diversas doenças, principalmente doenças sanguíneas hereditárias, imunoterapia CAR-T para cânceres específicos e algumas doenças neurodegenerativas, dentre outras.
Os vetores virais têm sido fundamentais para o sucesso de terapias genéticas, já que são eles que transportam os sistemas de edição genética. Mas, em alguns casos, o uso de um vírus como vetor para o tratamento pode gerar efeitos colaterais indesejáveis.
Por outro lado, ainda existem vários desafios de bioengenharia no desenvolvimento de sistemas de entrega não virais de terapias genéticas que sejam simples, seguros e eficientes.
Uma das alternativas é o uso de nanopartículas, que oferecem capacidades promissoras de entrega de genes com toxicidade reduzida. Mas ainda persistem desafios no que diz respeito ao encapsulamento e à entrega eficaz de plasmídeos (DNAs circulares de fita dupla ou, mais recentemente, RNAs circulares), que atuam no transporte e expressão do material genético para o interior da célula-alvo.
Pesquisadores da Escola de Engenharia e da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos EUA, conseguiram modificar geneticamente vários tipos de células humanas com uma nova plataforma de nanopartículas à base de proteínas, que conseguiu encapsular e liberar plasmídeos de modo eficaz.
Nos experimentos, os pesquisadores escolheram a albumina sérica como proteína que atua como componente estrutural da nanopartícula e também encapsula o plasmídeo.
As nanopartículas foram produzidas por uma técnica de impressão chamada jato eletro-hidrodinâmico e então revestidas superficialmente com um composto químico sintético em forma de gel chamado polietilenimina, com a finalidade de mantê-las estáveis e unidas.
Quando as nanopartículas são digeridas nos endossomos das células-alvo, a polietilenimina, carregada positivamente, cria um desequilíbrio de cargas, fazendo com que o endossomo se rompa e libere o material genético.
O estudo foi publicado na revista científica Advanced Materials.
Os pesquisadores introduziram genes para a proteína verde fluorescente em células cancerígenas do fígado, células renais e células imunológicas humanas. Com a fluorescência, os pesquisadores puderam confirmar que as células ativaram os novos genes após englobarem e digerirem as nanopartículas, liberando os plasmídeos contidos em seu interior.
As nanopartículas desenvolvidas pelos pesquisadores podem potencialmente ajudar a evitar o surgimento de novos cânceres durante a terapia gênica, e o revestimento externo de proteína também pode ser mais seguro do que as nanopartículas lipídicas existentes, que também podem ter efeitos colaterais.
Fjorela Xhyliu, doutoranda na Universidade de Michigan e coautora principal do estudo, destacou que, em estudos futuros, a equipe de pesquisa pretende testar a capacidade das nanopartículas de modificar células humanas com genes terapêuticos e identificar possíveis efeitos colaterais.
Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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Escola Politécnica Federal de Lausanne


