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Violências, exclusão social e precariedade no acesso a serviços de saúde levam mulheres indígenas a morrerem mais cedo no Brasil
8 de janeiro de 2026, 13:30

Fonte

Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG

Publicação Original

Áreas

Assistência Social, Atenção Primária, Epidemiologia, Inclusão Social, Medicina, Saúde da Mulher, Telemedicina

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Resumo

Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou que mulheres indígenas entre 10 e 49 anos tendem a morrer mais cedo que mulheres brancas.

O estudo indicou uma idade mediana de morte de 31 anos para as indígenas. A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, foi desenvolvida pelo mestrando (à época da pesquisa) Guilherme Torres e pela Dra. Flávia Bulegon Pilecco, professora da Faculdade de Medicina da UFMG.

O estudo epidemiológico analisou a evolução das taxas de mortalidade de mulheres indígenas brasileiras em idade reprodutiva, entre 2010 e 2019, em comparação com as taxas de mulheres brancas. O projeto buscou dar visibilidade a um grupo populacional ainda pouco estudado no país, investigando não apenas os óbitos relacionados à maternidade, mas o conjunto de causas de morte dessas mulheres.

Foram constatadas importantes desigualdades, que refletem padrões de adoecimento diferenciados. Além de morrerem mais precocemente que as mulheres brancas, as mulheres indígenas morrem com mais frequência fora de hospitais, levando a sérios questionamentos sobre a equidade no acesso a cuidados em saúde.

“Partimos da preocupação com as desigualdades estruturais que atingem os povos indígenas e com a falta de informações consistentes sobre sua saúde. No caso das mulheres indígenas, especificamente, quisemos superar o que chamamos de ‘materno-infantilismo’, uma visão limitada que reduz o cuidado às questões reprodutivas e ignora outras formas de adoecimento e morte”, destacou o mestrando.

A pesquisa foi realizada com dados nacionais reunidos em bancos de informações do Sistema Único de Saúde (SUS). Foram analisados óbitos de quase 280 mil mulheres indígenas e brancas, ao longo de uma década, nas cinco macrorregiões.

A maior parte das ocorrências entre indígenas vêm das regiões Norte e Centro-Oeste que, juntas, responderam por dois terços dos óbitos, seguidas do Nordeste, com aproximadamente 15%, Sul, com 9%, e Sudeste, com 7%.

O estudo também produziu evidências que podem orientar políticas públicas mais justas, que considerem as especificidades culturais e sociais dessas mulheres e contribuam para um cuidado em saúde realmente inclusivo e efetivo.

Guilherme Torres explicou que o padrão de mortalidade é complexo, com múltiplas causas, e reflete um duplo fardo de doenças entre essas mulheres. De um lado, persistem causas evitáveis, como doenças infecciosas e parasitárias, mortes maternas e causas externas, como aquelas resultantes de violências e da exclusão social. Por outro, há um aumento expressivo das doenças crônicas não transmissíveis, dos aparelhos circulatório, digestivo e respiratório e de neoplasias e doenças endócrino-metabólicas e nutricionais.

“Essas mulheres continuam expostas a problemas típicos de contextos com baixa cobertura de saúde básica, superados para muitos setores da sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que enfrentam um crescimento de doenças associadas à urbanização e às mudanças no modo de vida, o que evidencia uma situação de desigualdade estrutural na qualidade e no acesso à atenção em saúde”, concluiu o pesquisador.

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Autores/Pesquisadores Citados

Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG

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