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Por Redação SciAdvances
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A resistência à insulina ocorre quando o hormônio – mesmo em quantidade suficiente – não consegue realizar uma sinalização efetiva para que a glicose que circula no sangue seja absorvida pelos tecidos. Nesse caso, como a absorção de glicose diminui, sua concentração no sangue aumenta, o que caracteriza um estado de hiperglicemia e, consequentemente, diabetes tipo 2.
Além do diabetes, sabe-se que a resistência à insulina pode levar a doenças cardiovasculares, renais e hepáticas, além de ser considerada um fator de risco para vários tipos de câncer. De qualquer modo, a avaliação clínica da resistência à insulina não é simples e geralmente depende de longos testes de tolerância à glicose.
Neste cenário, cientistas têm tentado desenvolver novas ferramentas que facilitem tanto a avaliação clínica da resistência à insulina quanto forneçam resultados preditivos sobre risco de desenvolver outras doenças, como cânceres.
Pela primeira vez, pesquisadores aplicaram um modelo de previsão de resistência à insulina baseado em aprendizado de máquina a meio milhão de participantes do Biobanco do Reino Unido e demonstraram que a resistência à insulina é um fator de risco para 12 tipos de câncer.
O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, foi liderado pela Dra. Chia-Lin Lee, primeira autora do estudo e pesquisadora do Hospital Geral de Veteranos de Taichung, em Taiwan, e pelo Dr. Yuta Hiraike, autor sênior do estudo e professor da Universidade de Tóquio, no Japão.
Os cientistas desenvolveram e utilizaram com sucesso uma ferramenta de aprendizado de máquina – chamada AI-IR – para comprovar a ligação entre resistência à insulina e diversos tipos de câncer.
Segundo Dr. Yuta Hiraike, embora uma possível ligação entre resistência à insulina e câncer já tenha sido sugerida na literatura médica, as evidências em larga escala eram limitadas devido à dificuldade de avaliar a resistência à insulina na prática clínica.
O novo recurso de Inteligência Artificial (IA) viabilizou a primeira evidência em escala populacional de que a resistência à insulina é um fator de risco para o câncer.
O Dr. Yuta Hiraike destacou que a ferramenta analisa nove parâmetros que são obtidos por meio de exames de saúde de rotina e, portanto, pode ser facilmente implementada para identificar indivíduos de alto risco e permitir a triagem direcionada de diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.
Como continuação da pesquisa, o Dr. Yuta Hiraike disse que a equipe está agora empenhada em compreender como as diferenças genéticas entre os indivíduos influenciam esse risco de câncer e também em conectar dados humanos em larga escala com estudos de biologia molecular a fim de desenvolver melhores estratégias para superar a resistência à insulina.
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