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Grant Hill, Universidade de Dundee
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Resumo
No Reino Unido, pesquisadores realizaram um estudo de coorte de base populacional, considerando prontuários eletrônicos de saúde de quase um milhão de pacientes do banco de dados UK Clinical Practice Research Datalink GOLD, estratificados entre adultos jovens (com idade entre 18 e 64 anos) e idosos (com idade entre 65 e 95 anos).
Os pesquisadores analisaram se o índice eletrônico de fragilidade (eFI), que já é aplicado a idosos, também poderia ser aplicado a adultos jovens para ajudar a organizar intervenções de saúde precocemente.
De acordo com os resultados obtidos com a aplicação do índice eFI, os pesquisadores concluíram que os adultos jovens classificados como frágeis enfrentam altos riscos de morte e hospitalização de emergência, da mesma forma que adultos mais velhos com a mesma pontuação de fragilidade.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Embora a maioria das pessoas considere a fragilidade (da saúde) uma limitação inerente à velhice, sua definição médica se refere à redução da capacidade do corpo de lidar com doenças ou estresse, causada pelo acúmulo de problemas de saúde.
A fragilidade – que inclui condições como comorbidades, fatores psicológicos, sintomas e incapacidades – torna as pessoas mais vulneráveis a declínios repentinos na saúde, hospitalização e até mesmo morte precoce.
Até agora, ferramentas de análise de fragilidade se concentraram quase que exclusivamente em idosos, apesar de evidências de que adultos jovens com múltiplos problemas de saúde também podem ser frágeis.
Estudo
Um novo estudo liderado pelo Dr. Daniel Morales, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Dundee, com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, explorou se o índice eletrônico de fragilidade (eFI), já utilizado em idosos, também poderia identificar adultos jovens de 18 a 64 anos com fragilidade na saúde, que poderiam se beneficiar de apoio precoce.
O eFI atribui aos pacientes pontuações que variam de ‘aptos’ a ‘gravemente frágeis’ com base em déficits de saúde, como condições crônicas, sintomas ou deficiências.
No estudo de coorte de base populacional, foram analisados prontuários eletrônicos de saúde do banco de dados UK Clinical Practice Research Datalink GOLD. Os pacientes foram estratificados em adultos jovens (708.235 pessoas com idade entre 18 e 64 anos) e idosos (231.819 pessoas com idade entre 65 e 95 anos).
Para todos os pacientes incluídos, foram calculados o escore eFI, a prevalência de déficits individuais e a categoria de fragilidade.
Se bem-sucedida, essa abordagem pode mudar o foco do cuidado da fragilidade de um estágio final da vida para uma perspectiva ao longo da vida, melhorando, em última análise, os resultados para os pacientes e aliviando a carga sobre os sistemas de saúde
Resultados
A prevalência de fragilidade definida pelo índice eFI foi maior em adultos mais velhos do que em adultos mais jovens.
Entre os idosos, 33,3% tinham fragilidade leve; 19,2% tinham fragilidade moderada e 9,7% tinham fragilidade grave. Já entre adultos jovens, 10,9% tinham fragilidade leve; 1,8% tinham fragilidade moderada e 0,3% tinham fragilidade grave.
Embora a fragilidade seja menos comum entre adultos jovens, os pesquisadores descobriram que aqueles classificados como frágeis enfrentam altos riscos de morte e hospitalização de emergência, da mesma forma que adultos mais velhos com a mesma pontuação de fragilidade.
Isso sugere que a fragilidade é relevante ao longo da vida adulta, não apenas na terceira idade. Além disso, os resultados apontam para intervenções que podem potencialmente melhorar os resultados para os pacientes, de acordo com o Dr. Morales.
“Os pacientes podem se beneficiar de cuidados mais personalizados às suas necessidades de saúde, enquanto os serviços de saúde podem reduzir os custos e as pressões do uso hospitalar não planejado. Antes que esses benefícios possam ser alcançados, mais pesquisas são necessárias para entender exatamente o que impulsiona a fragilidade em adultos mais jovens e a melhor forma de apoiá-los sem estigma”, explicou o Dr. Daniel Morales.
Entender isso foi importante porque atualmente não existem ferramentas para avaliação da fragilidade validadas em nível populacional para jovens. Se o índice eFI puder prever o risco de forma confiável em adultos mais jovens, a avaliação poderá fornecer aos médicos uma maneira prática de identificar indivíduos vulneráveis mais precocemente e intervir antes que problemas graves de saúde se desenvolvam.
O estudo foi publicado na revista científica The Lancet Health Longevity.
Nossos resultados sugerem que a fragilidade não se limita à idade avançada e que adultos mais jovens com fragilidade podem enfrentar riscos especialmente altos de resultados ruins. Em longo prazo, usar o eFI para identificar adultos mais jovens em risco pode ajudar os médicos a intervir mais precocemente – ajustando medicamentos, oferecendo reabilitação ou fornecendo suporte direcionado – para prevenir internações hospitalares e mortes evitáveis
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica The Lancet Health Longevity (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Dundee (em inglês).
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