
Iryna Inshyna via Shutterstock
5 de novembro de 2025, 16:14
Fonte
Elenita Araújo e Danielle Morais, Coordenadoria de Comunicação Social da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh)
Publicação Original
Áreas
Assistência Social, Atenção Primária, Biomedicina, Enfermagem, Farmácia Clínica, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Neonatologia, Obstetrícia, Pediatria, Psicologia, Saúde da Criança, Saúde da Mulher
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Resumo
Uma publicação recente da Ebserh – a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – que administra vários dos Hospitais Universitários federais no Brasil, destacou a importância do envolvimento de múltiplos profissionais da Saúde no enfrentamento dos desafios de garantir a sobrevivência e a qualidade de vida de bebês prematuros – aqueles que nascem com menos de 37 semanas de gestação.
O acompanhamento no pré-natal, com o seguimento da saúde da mãe e do bebê e a realização de exames preventivos, os cuidados durante e após o parto e o atendimento às famílias costumam envolver várias áreas da saúde para garantir que a nova vida que está começando possa se desenvolver da melhor maneira possível.
No Brasil, cerca de 12% dos nascimentos ocorrem antes das 37 semanas de gestação — o que representa entre 300 e 340 mil bebês prematuros por ano, segundo o Ministério da Saúde. O país está entre os dez com maior número absoluto de partos prematuros no mundo. O desafio, porém, vai além da sobrevivência: é garantir qualidade de vida dos bebês.
Para a Dra. Daniela Marques Ferreira – professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), médica neonatologista e chefe da UTI Neonatal do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) – a prematuridade segue sendo um grande desafio de saúde pública: “Embora tenhamos avançado muito em diagnóstico, prevenção e cuidados neonatais, o número de partos prematuros permanece elevado. O desafio atual é duplo: reduzir a incidência da prematuridade e garantir a sobrevida com qualidade, minimizando as complicações a curto e a longo prazo”.
Conforme a idade gestacional, um bebê prematuro pode ser classificado como extremamente prematuro (menos de 28 semanas), muito prematuro (entre 28 e 31 semanas) ou moderadamente prematuro (entre 32 e 36 semanas). Quanto menor a idade gestacional, maior a complexidade do cuidado.
Entre os principais fatores associados ao parto prematuro, a médica destacou infecções maternas, hipertensão na gestação, diabetes gestacional, gravidez de gêmeos ou múltiplos, malformações fetais e alterações uterinas. “Também há influência de fatores sociais, como o início tardio do pré-natal, estresse materno, tabagismo e o uso de substâncias ilícitas. Em muitos casos, entretanto, a causa exata não é identificada”, explicou a Dra. Daniela Ferreira.
No HC-UFU, cerca de 250 recém-nascidos prematuros são atendidos por ano na UTI Neonatal. O hospital prioriza o Método Canguru, que incentiva o contato pele a pele entre bebê e os pais, fortalecendo o vínculo afetivo e contribuindo para o ganho de peso, a estabilidade clínica e o desenvolvimento neurológico. O cuidado é multiprofissional, envolvendo médicos neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos clínicos.
Os principais desafios imediatos são garantir a estabilidade respiratória, o controle da temperatura corporal, a manutenção da glicemia e a prevenção de infecções. Além disso, é essencial oferecer suporte nutricional adequado para favorecer o crescimento e o desenvolvimento neurológico
A Dra. Bruna de Sá Auto – professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), médica neonatologista e chefe da Divisão Médica do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes da UFAL (HUPAA-UFAL) – reforçou que o pré-natal de qualidade é o principal instrumento de prevenção da prematuridade: “Não basta garantir o acesso ao pré-natal; é preciso assegurar também o acesso oportuno aos exames e o retorno rápido. Quando uma gestante não faz uma ultrassonografia no primeiro trimestre ou demora semanas para receber o resultado de um exame, perde-se o tempo de tratar infecções ou identificar condições pré-eclâmpsia e diabetes gestacional”, explicou.
A especialista destacou a importância de identificar precocemente fatores de risco, como diabetes gestacional, obesidade, idade materna nos extremos, histórico de perdas gestacionais e partos prematuros anteriores. “A prevenção começa com o cuidado perinatal, que une obstetras, enfermeiros e neonatologistas em um trabalho integrado, com toda a equipe multiprofissional”.
No HUPAA-UFAL, a assistência neonatal atua desde o primeiro minuto de vida, com equipe treinada em reanimação neonatal na sala de parto, conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Cada minuto importa”, resumiu a Dra. Bruna. Em 2024, o HUPAA atendeu 672 recém-nascidos prematuros, o que corresponde a 39,25% dos nascidos vivos na maternidade.
Apoio também para a família
O nascimento prematuro costuma vir acompanhado de medo, ansiedade e incertezas. Na UTI Neonatal do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP-UFF), o trabalho da equipe é fundamental no apoio às famílias.
De acordo com a psicóloga Dra. Andreia Thurler, a unidade busca oferecer um cuidado que envolve o recém-nascido, os familiares e a rede de apoio, promovendo o desenvolvimento do bebê, a proteção neurocerebral e o fortalecimento dos vínculos afetivos. “O envolvimento precoce da família é essencial para o desenvolvimento do bebê e para a vinculação mãe-bebê”, apontou.
O acompanhamento tem início ainda na gestação, com integração entre as equipes da maternidade e da neonatologia, e segue após a alta hospitalar, por meio do ambulatório de follow-up, que monitora o desenvolvimento do bebê até os dois anos de idade.
A equipe multiprofissional do HUAP-UFF atua em atendimentos individuais e grupais. “Os pais de bebês prematuros vivenciam uma ‘prematuridade de emoções’. A Psicologia oferece um espaço de escuta e apoio, ajudando-os a elaborar sentimentos e a participar ativamente do cuidado”, concluiu a Dra. Andreia.
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