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Crianças se alimentando na escola, no Senegal
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Mark Greaves, UCL
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Resumo
Pesquisadores do Research Consortium for School Health and Nutrition, ligado à School Meals Coalition, publicaram um conjunto de artigos na revista científica The Lancet Planetary Health onde mostraram que programas de merenda escolar bem elaborados podem ser um investimento estratégico para um futuro mais saudável e sustentável.
Liderada pelo Brasil, Finlândia e França, a School Meals Coalition foi uma das iniciativas de maior impacto e sucesso resultantes da Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares em 2021.
Reunindo modelagem, estudos de caso e evidências de múltiplas disciplinas, o conjunto de artigos publicados demonstra como programas de merenda escolar que respeitam o planeta podem, simultaneamente, melhorar a nutrição infantil, reduzir a prevalência de doenças crônicas relacionadas à alimentação, atenuar as pressões climáticas e ambientais e estimular sistemas alimentares mais resilientes e agrobiodiversos.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Os sistemas alimentares globais são responsáveis por um terço das emissões de gases de efeito estufa causadas pela atividade humana, além de contribuírem para o aumento da desnutrição e de doenças relacionadas à alimentação.
Ao mesmo tempo, os programas nacionais de merenda escolar alimentam 466 milhões de crianças todos os dias, representando 70% do sistema alimentar público global – uma escala que proporciona aos governos uma influência sem precedentes.
Atualmente, apenas uma em cada cinco crianças no mundo recebe uma refeição escolar. No Brasil, segundo a School Meals Coalition, são 38,53 milhões de crianças recebendo alimentação escolar, com cerca de US$ 995 milhões (aproximadamente R$ 5,35 bilhões) investidos.
Estudo
A School Meals Coalition (Coalizão para a Alimentação Escolar) é uma iniciativa internacional liderada por governos e apoiada por parceiros, que visa garantir que, até 2030, todas as crianças do mundo possam receber uma refeição saudável na escola.
Liderada pelo Brasil, Finlândia e França, a Coalizão foi uma das iniciativas de maior impacto e sucesso resultantes da Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares em 2021.
Recentemente, pesquisadores do Research Consortium for School Health and Nutrition (Consórcio de Pesquisa para Saúde e Nutrição Escolar) – uma iniciativa de pesquisa independente da School Meals Coalition – publicaram uma conjunto de artigos na revista científica The Lancet Planetary Health onde mostraram que programas de merenda escolar bem elaborados podem ser um investimento estratégico para um futuro mais saudável e sustentável.
Reunindo modelagem, estudos de caso e evidências de múltiplas disciplinas, a coleção artigos demonstra como programas de merenda escolar que respeitam o planeta podem, simultaneamente, melhorar a nutrição infantil, reduzir a prevalência de doenças crônicas relacionadas à alimentação, atenuar as pressões climáticas e ambientais e estimular sistemas alimentares mais resilientes e agrobiodiversos.
Nossos modelos mostram que refeições escolares saudáveis e sustentáveis podem gerar ganhos substanciais para a saúde e o meio ambiente em todas as regiões do mundo. É importante ressaltar que a economia em saúde e no clima resultante de dietas mais saudáveis e menores emissões pode ajudar a compensar os custos da expansão dos programas de merenda escolar. As evidências são claras: investir em merenda escolar é eficaz e economicamente viável
Resultados
Em um dos estudos, o Dr. Marco Springmann, professor e líder de modelagem do Research Consortium for School Health and Nutrition sediado no Instituto de Saúde Global da University College London (UCL), no Reino Unido, concluiu que oferecer uma refeição saudável e sustentável para todas as crianças até 2030 pode ter pelo menos quatro resultados fundamentais.
O primeiro resultado seria reduzir a subnutrição global em 24%, com impactos particularmente fortes em regiões com insegurança alimentar. Isso se traduziria em 120 milhões de pessoas a menos no mundo sem vitaminas, minerais e energia suficientes dos alimentos.
O segundo resultado importante seria a prevenção de mais de 1 milhão de mortes por ano devido a doenças relacionadas à alimentação, como diabetes e doenças coronárias, assumindo que as crianças em idade escolar de hoje mantenham, pelo menos em parte, a preferência por alimentos saudáveis na idade adulta.
Outro resultado seria reduzir pela metade os impactos ambientais relacionados à alimentação, incluindo emissões e uso da terra, quando as refeições seguem padrões alimentares saudáveis e sustentáveis, por exemplo, aumentando a proporção de vegetais e reduzindo o consumo de carne e laticínios.
O quarto resultado seria a geração de grandes economias em saúde e clima, compensando significativamente as necessidades de investimento.
Modelo para transformar sistemas alimentares
Para apoiar os governos na transição para programas de merenda escolar sustentáveis, a coletânea de artigos apresentou um modelo conceitual de como a merenda escolar pode impulsionar a transformação sistêmica dos sistemas alimentares em larga escala, estruturado em torno de quatro pilares essenciais: 1. Cardápios escolares saudáveis, diversificados e culturalmente relevantes; 2. Métodos de preparo limpos e modernos; 3. Redução de perdas e desperdício de alimentos e 4. Educação alimentar holística que conecte crianças, famílias e comunidades.
Juntos, esses pilares oferecem aos governos um caminho para melhorar a saúde infantil e o conhecimento alimentar, fortalecer a agrobiodiversidade, estimular a produção local ecológica e construir sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas.
Fundamentalmente, o modelo enfatiza que esses pilares devem ser incorporados às normas de compras públicas, aos padrões nutricionais e às reformas políticas para que seu potencial seja totalmente explorado e a demanda por sistemas alimentares mais saudáveis e sustentáveis seja direcionada.
Em parceria com organizações internacionais e parceiros governamentais, o Consórcio de Pesquisa está desenvolvendo um ‘Kit de Ferramentas para Refeições Escolares Amigas do Planeta’ para ajudar os países a avaliar os custos, os impactos ambientais e os benefícios para a saúde da transição para modelos sustentáveis de refeições escolares.
Esta estrutura destaca como as refeições escolares não são apenas um programa de nutrição – elas são uma poderosa alavanca para transformar os sistemas alimentares. Quando as refeições são saudáveis, sustentáveis e vinculadas à educação alimentar, elas melhoram o bem-estar das crianças hoje e promovem hábitos sustentáveis a longo prazo, ao mesmo tempo que ajudam os países a proteger a biodiversidade, reduzir as emissões e construir comunidades resilientes. Poucas intervenções oferecem benefícios tão abrangentes e duradouros
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica The Lancet Planetary Health (em inglês).
Mais Informações
Acesse a página da School Meals Coalition (em inglês).
Acesse a página do Brasil na School Meals Coalition (em inglês).
Acesse o editorial da revista The Lancet Planetary Health sobre Alimentação Escolar (em inglês), que tem o link para os artigos publicados.
Acesse a notícia original completa na página da University College London (em inglês).
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