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Fonte
Emily Fraser, Universidade de Sydney
Publicação Original
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Resumo
Considerando dados dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, diversos países africanos, América Latina, Irlanda e outras regiões, pesquisadores analisaram o uso de ferramentas de inteligência artificial na atenção primária.
Os pesquisadores constataram que as ferramentas de IA são cada vez mais utilizadas para consultas clínicas, documentação e aconselhamento, mas a maioria está sendo implementada sem uma avaliação completa ou supervisão regulatória.
Para garantir um uso seguro e adequado das ferramentas, os cientistas deram sugestões de prioridades para governos, profissionais de saúde e desenvolvedores de tecnologia.
Foco do Estudo
Por que é importante?
A atenção primária à saúde está sob pressão em todo o mundo, desde a escassez de profissionais até o esgotamento dos médicos e a crescente complexidade do sistema de saúde, tudo agravado pela pandemia de COVID-19.
A IA tem sido apontada como uma solução, com ferramentas que economizam tempo ao resumir consultas, automatizar a administração e apoiar a tomada de decisões.
Estudo
De assistentes virtuais a aplicativos de mensagens instantâneas, a inteligência artificial (IA) está entrando rapidamente em clínicas de atenção primária. Agora, uma nova pesquisa liderada por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, alertou que a tecnologia está avançando mais rápido do que as verificações de segurança, colocando pacientes e sistemas de saúde em risco.
O estudo, publicado na revista científica The Lancet Primary Care, sintetizou evidências globais sobre como a IA está sendo usada na atenção primária, utilizando dados dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, diversos países africanos, América Latina, Irlanda e outras regiões.
A atenção primária é a espinha dorsal dos sistemas de saúde, fornecendo atendimento acessível e contínuo. A IA pode aliviar a pressão sobre serviços sobrecarregados, mas sem salvaguardas, corremos o risco de consequências indesejadas para a segurança do paciente e a qualidade do atendimento
Resultados
A pesquisa constatou que ferramentas de IA são cada vez mais utilizadas para consultas clínicas, documentação e aconselhamento, mas a maioria está sendo implementada sem uma avaliação completa ou supervisão regulatória.
No Reino Unido, um em cada cinco médicos de família relatou usar IA generativa em suas práticas clínicas em 2024. Mas a revisão constatou que a maioria dos estudos sobre IA na atenção primária se baseia em simulações, em vez de testes no mundo real, deixando lacunas críticas em termos de eficácia, segurança e equidade.
Na Austrália, o número de médicos de família que usam IA generativa não é conhecido com precisão, mas estima-se que seja de 40%.
“A IA já está presente em nossas clínicas, mas sem dados australianos sobre quantos médicos de família a estão usando ou uma supervisão adequada, estamos navegando às cegas em relação à segurança”, destacou a Dra. Liliana Laranjo, professora da Universidade de Sydney e líder do estudo.
Embora assistentes de IA e outras tecnologias possam reduzir a carga cognitiva e melhorar a satisfação no trabalho dos médicos de família, eles também apresentam riscos, como vieses de automação e perda de detalhes sociais ou biográficos importantes nos prontuários médicos.
“Nosso estudo descobriu que muitos médicos de família que usam assistentes de IA não querem voltar a digitar. Eles dizem que isso acelera as consultas e permite que se concentrem nos pacientes, mas essas ferramentas podem deixar passar detalhes pessoais vitais e introduzir vieses”, disse a pesquisadora.
“Modelos generativos como o ChatGPT podem parecer convincentes, mas podem estar factualmente errados. Eles frequentemente concordam com os usuários mesmo quando estão errados, o que é perigoso para os pacientes e desafiador para os médicos”, explicou a professora Liliana Laranjo.
Especialistas alertam que, embora a IA prometa diagnósticos mais rápidos e cuidados personalizados, ela também pode aprofundar as desigualdades na saúde se houver viés. Ferramentas de dermatologia, por exemplo, frequentemente diagnosticam erroneamente tons de pele mais escuros, que são tipicamente sub-representados nos conjuntos de dados de treinamento.
Os pesquisadores sugeriram que governos, profissionais de saúde e desenvolvedores de tecnologia priorizem: avaliação robusta e monitoramento em situações reais das ferramentas de IA; estruturas regulatórias que acompanhem a inovação; educação para médicos e o público em geral para melhorar o conhecimento sobre IA; estratégias de mitigação de vieses para garantir a equidade na saúde; e práticas sustentáveis para reduzir o impacto ambiental da IA.
A IA oferece a oportunidade de reimaginar a atenção primária à saúde, mas a inovação não deve ocorrer às custas da segurança ou da equidade. Precisamos de parcerias intersetoriais para garantir que a IA beneficie a todos – não apenas os especialistas em tecnologia ou os que têm muitos recursos
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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Mais Informações
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