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Por Redação SciAdvances
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Modelos animais podem ser fundamentais nas pesquisas sobre a doença de Alzheimer por permitirem o acesso a características patológicas como placas beta-amiloides, emaranhados tau, neuroinflamação e déficits cognitivos.
Os principais modelos animais usados em pesquisas sobre o Alzheimer são camundongos transgênicos e peixes-zebra, ou até animais de maior porte (com maior semelhança patológica com os humanos em alguns aspectos), como macacos-prego, gatos e até cães.
Especificamente em cães, a disfunção cognitiva canina (ou ‘Alzheimer canino’) poderia ser um bom modelo para a doença de Alzheimer, e essa aproximação tem sido objeto de estudos nos últimos anos.
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, publicaram recentemente um artigo de revisão de escopo sobre a disfunção cognitiva canina, com o objetivo de avaliar criticamente sua relevância translacional para a doença de Alzheimer.
Devido a semelhanças no processo de envelhecimento em cães e humanos, os avanços na compreensão da doença veterinária e seus paralelos com a doença em humanos pode viabilizar novos estudos voltados ao enfrentamento do Alzheimer e trazer novos conhecimentos sobre a progressão da doença.
Na UFSCar, o estudo foi liderado por Heloisa Máximo Ribeiro, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas. Heloisa é orientada pela Dra. Marcia Regina Cominetti, que lidera o Laboratório de Biologia do Envelhecimento da UFSCar, com linha de pesquisa voltada à investigação de biomarcadores na doença de Alzheimer.
O estudo de revisão, publicado na revista científica Alzheimer & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions, é uma etapa preparatória para a pesquisa sobre biomarcadores do plasma sanguíneo associados à neurodegeneração de cães.
O estudo de revisão analisou 125 estudos sobre o envelhecimento de cães e disfunção cognitiva, publicados entre 2000 e 2025, principalmente em relação aos fatores de risco, neuropatologia e abordagens diagnósticas.
Entre os fatores de risco comuns entre cães e humanos, foram identificados a idade, sedentarismo, perda de audição e exposição à poluição do ar. Também há evidências de associação do declínio cognitivo com fatores nutricionais e com a microbiota intestinal.
Em relação à neuropatologia, são comuns entre cães e humanos o acúmulo anormal de proteínas no tecido cerebral, a ocorrência de processos inflamatórios e a perda de neurônios, dentre outros.
Nas abordagens diagnósticas, além das evidências relacionadas à perda de memória, cães e humanos compartilham a associação entre velocidade de marcha e desempenho cognitivo, e também entre declínio cognitivo e distúrbios do sono.
Como a maioria das pesquisas revisadas foram estudos transversais, sem acompanhamento ao longo do tempo, os pesquisadores identificaram caminhos para novas pesquisas, através do uso de técnicas quantitativas para medida precisa de proteínas acumuladas no cérebro dos animais, além da realização de estudos clínicos controlados de tratamentos para a disfunção cognitiva canina, incluindo intervenções farmacológicas, dietéticas e comportamentais.
Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Outros avanços

Escola Politécnica Federal de Lausanne

Universidade da Pensilvânia

