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Amanda Morris, Universidade Northwestern
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Resumo
Nos EUA, pesquisadores coletaram e analisaram múltiplas amostras de pulmão de mais de 200 pacientes com pneumonia em estado crítico em unidades de terapia intensiva. Em seguida, identificaram os micróbios presentes nas amostras e mediram a quantidade de bactérias.
Os pulmões dos pacientes analisados estavam dominados por micróbios tipicamente encontrados na boca, na pele ou uma mistura de ambos. O quarto pneumotipo era dominado pelo patógeno comum Staphylococcus aureus.
Após as análises, eles identificaram que os pacientes com maior probabilidade de recuperação da pneumonia compartilhavam duas características: seus microbiomas pulmonares eram semelhantes aos microbiomas orais e suas comunidades microbianas eram dinâmicas, em vez de estáveis.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Apesar de sua prevalência, a pneumonia continua sendo surpreendentemente difícil de prever e tratar. Mesmo que dois pacientes tenham o mesmo diagnóstico e recebam o mesmo antibiótico, seus desfechos podem ser muito diferentes.
“A pneumonia é definida por seus sintomas, não por sua causa. Há uma grande proporção de pacientes com pneumonia para os quais os médicos não conseguem determinar se a causa é bacteriana, viral ou fúngica. A pneumonia hospitalar e a pneumonia adquirida na comunidade também são bastante diferentes. Dependendo do tipo de infecção bacteriana que o paciente apresenta, os antibióticos podem ou não ser eficazes”, explicou a Dra. Erica Hartmann, professora da Universidade Northwestern, nos EUA.
Estudo
Cientistas liderados pela Dra. Erica Hartmann, especialista em microbiomas e professora da Escola de Engenharia da Universidade Northwestern, nos EUA, podem ter descoberto um fator oculto e até então desconsiderado em pneumonias.
Em um novo estudo, os cientistas descobriram que a própria comunidade microbiana dos pulmões – o microbioma pulmonar – parece influenciar a evolução da doença, a resposta ao tratamento e se o paciente se recuperará com sucesso ou poderá ter recaídas ou mesmo piorar.
Para avançar na compreensão da doença, os pesquisadores buscaram identificar os micróbios presentes em pacientes com pneumonia. Eles coletaram múltiplas amostras de pulmão de mais de 200 pacientes com pneumonia em estado crítico em unidades de terapia intensiva. Em seguida, identificaram os micróbios presentes nas amostras e mediram a quantidade de bactérias. Assim, a equipe rastreou como os ecossistemas microbianos e as respostas imunológicas evoluíam ao longo do tempo.
As descobertas, publicadas na revista científica Cell Host & Microbe, podem, no futuro, ajudar os médicos a prever os resultados dos pacientes, a elaborar planos de tratamento com antibióticos personalizados e a desenvolver terapias que promovam a proliferação de micróbios benéficos nos pulmões.
A maioria das pessoas está familiarizada com o microbioma intestinal ou o microbioma da pele, mas se surpreende ao saber que o trato respiratório também possui um microbioma. Por muito tempo, acreditou-se que os pulmões eram estéreis e que os micróbios estavam presentes apenas durante uma infecção. Descobrimos que não é bem assim. Nos perguntamos se o microbioma poderia ajudar a explicar por que alguns pacientes com pneumonia respondem ao tratamento e outros não. Em última análise, esperamos que isso leve a diagnósticos melhores e melhores resultados para os pacientes
Resultados
Após monitorar os microbiomas ao longo do tempo, a equipe identificou quatro padrões microbianos distintos, ou ‘pneumotipos’, associados a diferentes tipos de pneumonia, incluindo pneumonia adquirida na comunidade, pneumonia hospitalar e pneumonia associada à ventilação mecânica.
Os pulmões dos pacientes analisados estavam dominados por micróbios tipicamente encontrados na boca, na pele ou uma mistura de ambos. O quarto pneumotipo era dominado pelo patógeno comum Staphylococcus aureus.
A professora Erica Hartmann e sua equipe, incluindo pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Northwestern, descobriram que os microbiomas pulmonares e a resposta imune do hospedeiro estavam interligados e mudavam em conjunto. Também descobriram que pacientes com pneumotipos semelhantes aos encontrados na boca tinham maior probabilidade de se recuperar com sucesso. Pneumotipos semelhantes aos da pele e mistos não apresentaram associação clara com a recuperação, mas também não apresentaram associação clara com a piora do quadro. E os pacientes com pneumotipos dominados por Staphylococcus tenderam a apresentar os piores resultados.
“Ainda estamos tentando entender o que isso significa. Uma hipótese especulativa é que os pulmões já estejam constantemente expostos a micróbios semelhantes aos da cavidade oral. O trato respiratório superior inclui a boca e a garganta, então a saliva está constantemente descendo e sendo expelida pela tosse. O sistema imunológico pode já estar adaptado a esses micróbios semelhantes aos da cavidade oral, sabendo como reagir ao encontrá-los”, explicou a professora.
Os cientistas também descobriram que os piores resultados estavam associados aos microbiomas pulmonares mais estáveis.
“Os pulmões são como qualquer outro ecossistema. Quando um ecossistema é perturbado, ele se transforma. Essas transformações podem lhe conferir o potencial de expulsar um patógeno. Mas se a comunidade for muito estável, pode não ser flexível o suficiente para se defender. No entanto, novamente, não sabemos ao certo, então tudo isso é altamente especulativo”, destacou a professora.
Para ajudar a confirmar essas especulações, a Dra. Erica Hartmann e seus colaboradores planejam realizar experimentos em culturas celulares. A equipe só conseguiu obter amostras de pulmão por meio de broncoscopia, o que exige que os pacientes já estejam em ventilação mecânica. Embora os experimentos tenham incluído pacientes ventilados sem pneumonia como controles, não foi possível incluir controles saudáveis.
No futuro, queremos cultivar esses organismos e colocá-los juntos em um frasco para ver como interagem. Mas parece que as comunidades microbianas e os diferentes pneumotipos são importantes. E se esse pneumotipo permanece estável ou não também importa. Isso é fascinante
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Acesse a revista científica Cell Host & Microbe (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Northwestern (em inglês).
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