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Cultura de Pseudomonas aeruginosa em ágar chocolate
Fonte
Mariana Melo, Sala de Ciência da Agecom/UFRN
Publicação Original
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Resumo
Usando uma metodologia baseada em experimentos de cultivo onde a bactéria Pseudomonas aeruginosa e o fungo Candida auris foram colocados para crescerem juntos em laboratório, pesquisadores puderam observar a dinâmica da interação entre os microrganismos e descobriram que a bactéria pode inibir o crescimento do fungo.
A bactéria não mata o fungo, mas limita seu avanço, em um efeito que os cientistas classificaram como fungistático. O estudo mostrou ainda que o fenômeno acontece por meio de moléculas secretadas pela bactéria.
Tanto o superfungo Candida auris como a bactéria Pseudomonas aeruginosa – muitas vezes associada a infecções hospitalares – podem coexistir em pacientes, o que mostra a importância da pesquisa.
Foco do Estudo
Estudo
Uma pesquisa publicada na revista científica Frontiers in Fungal Biology revelou uma descoberta inédita: a bactéria Pseudomonas aeruginosa, já conhecida por causar infecções graves, pode inibir o crescimento do superfungo Candida auris.
O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP (FCFRP-USP).
Em outubro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma lista de patógenos fúngicos prioritários – como esforço global para identificar e classificar os fungos que representam maior ameaça à saúde pública mundial – onde está incluído o Candida auris.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa, por sua vez, é igualmente uma das principais causas de infecções hospitalares, sendo capaz de sobreviver em ambientes úmidos e formar biofilmes.
Tanto o superfungo Candida auris como a bactéria Pseudomonas aeruginosa podem coexistir em pacientes, o que mostra a importância da pesquisa, que abre uma frente de estudo importante sobre a dinâmica da interação entre microrganismos.
No estudo, os pesquisadores utilizaram uma metodologia baseada em experimentos de cultivo onde a bactéria e o fungo foram colocados para crescerem juntos em laboratório.
Ao entrar em contato com P. aeruginosa, as células de C. auris pareceram incapazes de proliferar, mas permaneceram viáveis. Isso foi confirmado por microscopia de fluorescência, que mostrou que, embora o número de células de C. auris durante o cocultivo tenha reduzido para 36% em comparação com a monocultura, cerca de 97% permaneceram viáveis mesmo após 72 horas de cocultivo com a bactéria. Esses resultados corroboram a ideia de que P. aeruginosa provavelmente induz um efeito fungistático contra C. auris.
Resultados
Por meio de técnicas avançadas, como a microscopia de fluorescência, que diferencia células vivas de mortas, a pesquisa confirmou que a P. aeruginosa não mata o fungo, mas limita seu avanço, em um efeito que os cientistas classificaram como fungistático. O estudo mostrou ainda que o fenômeno acontece por meio de moléculas secretadas pela bactéria.
Uma das revelações mais interessantes é o papel do ferro nesse antagonismo. Segundo o Dr. Rafael Wesley Bastos, professor do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFRN e coautor sênior do estudo, a ‘briga por ferro’ é um mecanismo de defesa comum em nosso organismo contra patógenos. O que a pesquisa demonstrou é que essa mesma disputa parece acontecer entre os microrganismos.
“A P. aeruginosa parece secretar alguma substância que indisponibiliza o ferro do meio de cultura para C. auris, impedindo seu crescimento”, disse o professor. A adição de mais ferro no meio de cultura foi capaz de reduzir a inibição, reforçando essa hipótese, embora não a elimine por completo, sugerindo que outros mecanismos também podem estar ativos.
O estudo não apenas amplia a compreensão das interações microbianas, mas também aponta para direções futuras de pesquisa e o potencial para novas terapias.
Atualmente, a equipe de pesquisa se dedica a identificar e caracterizar quimicamente as moléculas responsáveis pela inibição, além de investigar o fenômeno em modelos mais próximos da realidade clínica.
O professor Rafael Bastos destacou que a pesquisa pode inspirar novas estratégias de biocontrole ou uso de metabólitos bacterianos como antifúngicos alternativos, o que pode ser mais um recurso na luta contra as infecções hospitalares.
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
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Acesse a revista científica Frontiers in Fungal Biology (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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