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Por Redação SciAdvances
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A depressão perinatal – a depressão que pode se manifestar antes e após o parto – tem uma prevalência global estimada em cerca de 20% e compreende alterações de humor que podem levar a um estado de angústia, tristeza profunda, desânimo, ansiedade e distúrbios do sono, dentre outros sintomas.
Para além dos tratamentos medicamentosos acompanhados de psicoterapia, cientistas têm estudado opções de tratamentos que envolvem estimulação cerebral de baixa intensidade (elétrica ou magnética), que são técnicas não medicamentosas e não invasivas.
Como opção, a estimulação elétrica cerebral de baixa intensidade surge como alternativa, complementada por psicoterapia e suporte psicossocial.
Pesquisadores da Universidade de Coimbra, em Portugal, estão liderando uma pesquisa que tem como foco analisar a aceitabilidade e a eficácia de um tratamento não invasivo e não medicamentoso para a depressão na gravidez e no pós-parto.
Trata-se de uma combinação de estimulação elétrica por corrente contínua transcraniana de baixa intensidade domiciliar, supervisionada remotamente, em conjunto com uma intervenção psicológica, de base cognitivo-comportamental, suportada por um aplicativo.
A Dra. Ana Ganho Ávila, professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), explicou que a estimulação elétrica permite modular a atividade neuronal, tornando determinadas áreas do cérebro mais ou menos excitáveis.
A professora destacou que a técnica atua diretamente no funcionamento dos neurônios, sendo uma técnica segura e indolor quando utilizada sob supervisão médica. Além disso, ressaltou que as sessões de estimulação podem ser dirigidas a regiões específicas do cérebro, o que torna a técnica uma forma prática de influenciar o funcionamento cerebral, resultando em melhorias no estado emocional e cognitivo.
Segundo a professora Ana Ávila, o tratamento tem a duração de dez semanas: nas primeiras três semanas, a paciente realiza cinco sessões por semana (uma por dia) e nas sete semanas seguintes realiza três sessões por semana. Cada sessão inclui 30 minutos de estimulação cerebral associada a um conjunto de exercícios oferecidos pelo aplicativo, integrados em uma intervenção psicológica cognitivo-comportamental breve.
Os cientistas realizaram um estudo com 15 mulheres que já tinham história de sintomatologia depressiva e 14 profissionais de saúde perinatal para analisar a aceitabilidade do tratamento. Os participantes foram divididos em grupos focais e as narrativas foram refinadas iterativamente, utilizando o método de análise de modelos.
Os participantes mostraram-se, em geral, positivos em relação ao tratamento, destacando que ele apoia a autonomia das pacientes, a liberdade de escolha e um sistema de saúde mental perinatal universalmente acessível.
Como preocupações, o estudo destacou as limitações de intervenções exclusivamente remotas/virtuais e conduzidas por bots, o que pode aumentar a solidão em pacientes deprimidas.
Quanto à segurança, os cientistas destacaram que o tratamento apresenta um perfil de segurança elevado, mesmo para mulheres grávidas e durante a amamentação, não colocando riscos conhecidos nem para a mãe nem para o bebé ou recém-nascido.
Agora, os pesquisadores vão analisar a eficácia do tratamento, que está sendo implementado em uma maternidade de Coimbra, com a participação de 40 mulheres grávidas ou no período pós-parto, que vão realizar o tratamento ao longo de dez semanas.
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