
Comunicação, Instituto Butantan
Vacina contra o HPV
Por Redação SciAdvances
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HPV (Papilomavírus Humano) designa um grupo de mais de 200 vírus, incluindo o HPV 16 e o HPV 18, que são vírus de alto risco responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo.
A infecção por HPV é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo, com estimativas que indicam uma prevalência extremamente alta na população sexualmente ativa.
Em 2023, pesquisa inédita encomendada pelo Ministério da Saúde apontou que o HPV está presente na região genital de 54,4% das mulheres e 41,6% dos homens sexualmente ativos no Brasil, com a estimativa de cerca de 700 mil novos casos de infecção por HPV por ano no país.
Comparada com outras medidas de proteção, a vacina é a medida mais eficaz contra o HPV. Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação também protege contra o câncer de colo do útero, câncer de pênis, câncer de ânus, câncer de uretra e câncer de garganta, além de prevenir verrugas genitais.
Existem esquemas vacinais com dose única, com duas doses e com três doses da vacina, mas o número de doses tem sido considerado um fator preponderante para a baixa adesão ao esquema vacinal completo.
No SUS, a vacina é oferecida gratuitamente para meninos e meninas de 9 a 14 anos e grupos especiais. Em 2025, a vacinação no SUS também incluiu jovens de 15 a 19 anos.
Avanço: estratégia de dose única alavanca vacinação e aumenta cobertura vacinal
A mudança mais recente na estratégia de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Brasil é a adoção do esquema de dose única para a faixa etária de 9 a 14 anos. A decisão tomada pelo Ministério da Saúde tem como base um corpo crescente de evidências científicas robustas que devem ajudar a melhorar a prevenção.
Nos últimos anos, vários estudos científicos demonstraram que uma única dose oferece um nível de proteção contra o câncer de colo do útero semelhante ao de esquemas com duas ou três doses para pessoas sem imunossupressão.
Essa simplificação facilita a logística de imunização, aumenta a cobertura e é altamente eficaz contra o câncer de colo do útero do ponto de vista populacional.
O Dr. Mario Bochembuzio, médico pediatra e gestor médico no Instituto Butantan, explicou que a resposta sorológica após a vacinação (incluindo a vacinação de dose única) é muito mais potente do que a resposta após a infecção natural, proporcionando uma proteção imunológica sólida de longo prazo.
Foco na eliminação do câncer de colo do útero
Especialistas em vacinas esperam que o esquema simplificado com dose única permita o alcance das metas globais de saúde estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) até 2030.
Uma das metas é a chamada estratégia global 90-70-90, que busca eliminar o câncer de colo de útero atingindo três objetivos complementares: 90% de cobertura de vacinação em meninas até os 15 anos, 70% de rastreamento em mulheres até 35 anos e 90% de tratamento em mulheres diagnosticadas com a doença.
Estudos de modelagem que consideraram dados brasileiros mostraram que a adesão ao esquema de dose única, juntamente com o rastreamento, aceleraria o alcance da meta, com uma redução da incidência de câncer de 69% a 79% nas coortes vacinadas.
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Mais Informações
Acesse a página do Esquema Vacinal contra o HPV publicada pelo Ministério da Saúde.



