
NIAID/NIH via Flickr
Micrografia eletrônica de transmissão colorida do vírus mpox
Fonte
Paula Penedo Pontes, Jornal da UNICAMP
Publicação Original
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Resumo
Pesquisadores desenvolveram um conjunto de biossensores portáteis para detectar diversas doenças sem a necessidade de exames de laboratório.
Os biossensores, que enviam os resultados diretamente para um aplicativo, podem detectar covid-19, mpox, herpes e infarto, além de biomarcadores clínicos em amostras de saliva.
Foco do Estudo
Por que é importante?
A realização de exames de laboratório pressupõe o pedido realizado por um médico ou profissional de saúde durante um atendimento, para depois o paciente ser direcionado a um ponto de coleta. Após a coleta, o material é então enviado a um laboratório, onde será processado por um equipamento específico (e em geral de alto custo) , e os resultados serão então analisados por um profissional especialista para que retornem ao paciente, ao profissional de saúde requerente ou ao local de atendimento.
Este ciclo demanda tempo e também tem um custo associado. Muitas vezes, a demora no acesso aos resultados pode atrasar a tomada de decisão e retardar o início de um tratamento, comprometendo o resultado para o paciente.
Estudo
Pesquisadores do Instituto de Química da UNICAMP (IQ-UNICAMP) desenvolveram um conjunto de biossensores eletroquímicos portáteis para detectar diversas doenças sem a necessidade de exames de laboratório.
Os dispositivos foram elaborados para a realização de testes diagnósticos no próprio local de atendimento. Portanto, profissionais de saúde podem realizar esses exames de maneira mais fácil e com resultados mais rápidos, o que ajuda a antecipar as ações de tratamento do paciente.
Desenvolvida durante o doutorado do químico Lucas Felipe de Lima, a tecnologia de biossensores eletroquímicos foi aplicada na detecção de covid-19, mpox, herpes e infarto, além de um dispositivo para monitoramento de quatro biomarcadores clínicos com amostras de saliva.
Basicamente, o meio de análise – sangue, saliva ou outros fluidos biológicos – interage com o elemento transdutor do dispositivo e gera uma resposta eletroquímica medida por um potenciostato, que envia o resultado para um aplicativo.
Ainda em 2023, o estudo resultou na publicação de dois artigos na revista científica ACS Applied Materials and Interfaces: o primeiro artigo aborda o projeto da plataforma de análise, enquanto o segundo artigo trata especificamente da detecção do vírus da mpox.
No nosso tipo de sensor, por conta de a medição ser feita de maneira instrumental, a gente consegue detectar concentrações muito mais baixas, de forma bem mais precisa e a um custo competitivo
Resultados
Os dados obtidos pelos biossensores eletroquímicos e enviados ao aplicativo em um smartphone aparecem em gráficos, minutos após a coleta do meio de análise.
O Dr. William Reis de Araújo, professor do IQ-UNICAMP e orientador do estudo, lembrou que a tecnologia permitiu o primeiro biossensor eletroquímico para mpox desenvolvido no mundo.
O Dr. Lucas Felipe de Lima espera que esses dispositivos possam ser empregados no diagnóstico de doenças em locais como farmácias e ambulatórios.
Atuamente, o pesquisador trabalha como pós-doutorando no IQ-UNICAMP, onde continua desenvolvendo biossensores eletroquímicos, agora para doenças como leucemia, H1N1, dengue, zika e chikungunya, com o apoio de outros alunos do laboratório. Seu objetivo é obter parâmetros para tornar esses testes cada vez mais robustos, para que futuramente possam ser usados no Sistema Único de Saúde (SUS).
Um dia eu quero disponibilizar ao público meu próprio laboratório para a realização desses testes ou mesmo que esses equipamentos sejam levados para regiões remotas e usados no diagnóstico de doenças no caso de pessoas que não têm acesso fácil a uma rede pública de saúde
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Acesse a revista científica ACS Applied Materials and Interfaces (em inglês).
Mais Informações
Acesse o resumo do artigo publicado sobre a detecção do vírus da mpox (em inglês).
Acesse a notícia completa na página do Jornal da Unicamp.
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