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Concentrações de ‘produtos químicos eternos’ podem dobrar a cada etapa na cadeia alimentar
5 de janeiro de 2026, 16:52

Fonte

Tom Melville, UNSW

Publicação Original

Áreas

Bioquímica, Ciência Ambiental, Ecologia, Engenharia Ambiental, Gestão de Resíduos, Monitoramento Ambiental, Saneamento, Toxicologia

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Resumo

Uma nova meta-análise global liderada por pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), na Austrália, mostrou que as concentrações de Substâncias Perfluoroalquil e Polifluoroalquílicas (PFAS) – os chamados produtos químicos ternos – podem dobrar a cada etapa da cadeia alimentar, deixando os principais predadores – e os humanos – potencialmente expostos a cargas químicas mais elevadas.

As PFAS pertencem a uma família de mais de 12.000 compostos sintéticos e já foram associadas a uma série de doenças, incluindo alguns tipos de câncer. Desde que foram descobertos pela empresa química americana DuPont na década de 1930, as PFAS são detectáveis ​​na corrente sanguínea de praticamente todos os seres humanos do planeta.

No estudo – publicado na revista científica Nature Communications – os autores examinaram 119 cadeias alimentares aquáticas e terrestres em todo o mundo, descobrindo que predadores de topo, como peixes grandes, aves marinhas e mamíferos marinhos, podem acumular concentrações de PFAS exponencialmente maiores do que os ambientes em que vivem.

“As concentrações de PFAS dobram, em média, a cada nível trófico na cadeia alimentar”, afirmou Lorenzo Ricolfi, doutorando na Escola de Ciências Biológicas, da Terra e Ambientais da UNSW e autor principal do estudo.

Para os humanos, que ocupam o topo da cadeia alimentar, isso significa que a dieta pode ser uma importante via de exposição aos PFAS.

“Considerando o que sabemos sobre a toxicidade dos PFAS a partir de outros estudos, essas taxas extremas de acúmulo em predadores de topo sugerem sérios riscos à saúde”, afirmou Lorenzo Ricolfi. “Isso cria um risco ecológico em cascata: os predadores de topo enfrentam uma exposição desproporcionalmente alta, mesmo em ambientes relativamente pouco contaminados”, continuou o doutorando.

Os autores analisaram 72 PFAS diferentes e encontraram variações drásticas na intensidade com que as concentrações se acumulam ao longo da cadeia alimentar.

Os pesquisadores defendem mudanças nas políticas em nível internacional, considerando a toxicidade das PFAS, e argumentam que os compostos mais propensos à acumulação precisam de maior escrutínio, principalmente aqueles que não são regulamentados.

Os cientistas defendem que os dados de amplificação sejam considerados pelas autoridades internacionais na tomada de decisões regulatórias, em vez de apenas a toxicidade aguda.

Eles também argumentam que as autoridades devem analisar urgentemente os produtos químicos mais recentes e não regulamentados, propensos à amplificação, antes que seu uso se torne generalizado, principalmente aqueles que estão preenchendo o vácuo deixado pelos produtos químicos proibidos.

“Nossas descobertas revelam que alguns PFAS mais recentes, comercializados como alternativas mais seguras, podem replicar ou até mesmo exacerbar as consequências da bioacumulação dos PFAS antigos”, concluiu Lorenzo Ricolfi.

Pesquisadores da Universidade de Queensland e da Universidade de Sydney, na Austrália, e da Universidade de Alberta, no Canadá, também participaram do estudo.

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Autores/Pesquisadores Citados

Doutorando na Escola de Ciências Biológicas, da Terra e Ambientais da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW)

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