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Cogumelos mágicos
Por Redação SciAdvances
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Nos últimos anos, as pesquisas sobre o tratamento de distúrbios neuropsiquiátricos com psilocibina, que é o composto alucinógeno encontrado em fungos conhecidos como ‘cogumelos mágicos’, tem avançado consideravelmente: estudos clínicos têm indicando boa eficácia inclusive em casos de depressão resistente aos tratamentos convencionais.
Ao ser ingerida, a psilocibina passa por processos de desfosforilação no fígado e no intestino e se transforma em psilocina, que é o composto ativo que produz efeitos psicodélicos.
No entanto, as alterações na percepção causadas pela psilocina, apesar de serem muitas vezes consideradas normais ou até benéficas pelos pesquisadores, ainda limitam seu uso generalizado.
Algumas linhas de pesquisa têm buscado alternativas em que os efeitos alucinógenos sejam cada vez menores, como esforço para melhorar a disseminação desse tipo de tratamento.
Cientistas da Universidade de Pádua, na Itália, lideraram uma pesquisa que desenvolveu novas versões com efeitos alucinógenos reduzidos da psilocina como potenciais alternativas para o tratamento de distúrbios como a depressão e a ansiedade.
Procurando reduzir as alterações na percepção causadas pela psilocina, os pesquisadores projetaram derivados do composto ativo capazes de serem liberados no cérebro de maneira mais lenta e controlada.
Os pesquisadores sintetizaram cinco novos derivados de psilocina e avaliaram sua estabilidade, absorção e atividade biológica. Um destes compostos conseguiu liberar psilocina gradualmente, mantendo forte atividade nos receptores de serotonina.
O estudo foi publicado na revista científica Journal of Medicinal Chemistry.
Em testes pré-clínicos com modelos de camundongos, as moléculas do composto que apresentou maior potencial conseguiram atravessar a barreira hematoencefálica de forma eficaz e mantiveram sua atividade nos receptores de serotonina, produzindo níveis cerebrais de psilocina mais baixos, porém mais duradouros do que a psilocibina.
O Dr. Andrea Mattarei, professor do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade de Pádua, destacou que os resultados sugerem que os efeitos psicodélicos e a atividade serotoninérgica da psilocina podem ser separáveis, o que abre caminho para o desenvolvimento de novos fármacos que mantenham a eficácia terapêutica, com efeitos alucinógenos reduzidos.
Agora, são necessários estudos clínicos para avaliar a eficácia e a segurança do novo composto em humanos.
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