
Stella Cho, Universidade de Connecticut
Folículo ovariano em processo de ruptura: a sombra verde-clara em direção à parte inferior da imagem é o óvulo, emergindo da extremidade rompida do folículo
Fonte
Kim Krieger, Universidade de Connecticut
Publicação Original
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Resumo
Nos EUA, pesquisadores estudaram, em moscas-das-frutas, o mecanismo pelo qual os óvulos conseguem sair dos ovários.
Usando corantes fluorescentes como marcadores, eles descobriram como a actina e a miosina nas células do folículo do óvulo conseguem agir para romper o folículo e liberar o óvulo do ovário.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Um mecanismo fundamental na origem da vida, e até então não completamente conhecido, diz respeito à força que ‘expulsa’ os óvulos dos ovários.
Antes que o óvulo de um animal possa ser fertilizado, ele precisa sair do ovário. Esse processo é chamado de ovulação: o óvulo amadurece dentro do folículo e o folículo, de alguma forma, se rompe e o óvulo emerge. Se o folículo não se romper, não há ovulação e o óvulo não pode ser fertilizado.
Portanto, algum tipo de força é necessária para romper o folículo e liberar o óvulo. Mas de onde vem essa força?
Compreender a origem dessa força pode esclarecer distúrbios ovulatórios humanos e ajudar a desenvolver compostos contraceptivos para inibir o processo de ovulação.
Estudo
Recentemente, pesquisadores da Universidade de Connecticut e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, explicaram o mecanismo que faz com que o óvulo saia do ovário: pequenas fibras musculares nas células do ovário expelem o óvulo para fora.
O Dr. Jianjun Sun, professor do Departamento de Fisiologia e Neurobiologia da Universidade de Connecticut, suspeitava que a actina e a miosina — que são blocos de construção dos músculos — poderiam desempenhar um papel importante na ovulação.
O professor Jianjun Sun estuda a ovulação com o objetivo de encontrar melhores métodos de controle de natalidade e fez muitos experimentos para entender melhor a interação entre óvulo, folículo e ovário.
O professor Sun e a doutoranda Stella Cho decidiram observar o processo em moscas-das-frutas. As moscas fêmeas ovulam cerca de duas vezes por hora durante a maior parte de suas vidas, o que facilita o estudo.
Os pesquisadores usaram corantes fluorescentes para marcar a actina e a miosina nas células do folículo do óvulo nos ovários das moscas-das-frutas.
O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Quando você torna a célula folicular mais alta e com menos área de superfície cobrindo o óvulo, ela empurra o óvulo para fora… o que leva à ruptura. Os óvulos são essencialmente expelidos do folículo ao serem espremidos, como apertar um tubo de pasta de dente
Resultados
Os pesquisadores descobriram que, quando o óvulo estava maduro, a actina e a miosina se concentravam nas paredes das células do folículo e se contraíam. Isso fazia com que as células mudassem de forma ao redor do óvulo e o empurrassem em direção à borda externa.
Eles também descobriram que podiam impedir a ruptura do folículo bloqueando a molécula de sinalização que faz com que a actina e a miosina se reúnam e se contraiam. Nesse caso, os folículos retiveram os óvulos. As moscas-das-frutas põem normalmente de 50 a 60 ovos por dia; as moscas-das-frutas com o sinal bloqueado puseram apenas de 10 a 15, uma redução significativa.
O processo de ovulação é muito semelhante entre os diferentes animais, então o que acontece nas moscas-das-frutas provavelmente também acontece em mamíferos como os humanos.
O laboratório do professor Jianjun Sun espera continuar as pesquisas para compreender os distúrbios ovulatórios humanos e desenvolver compostos contraceptivos que possam inibir o processo de ovulação.
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Acesse a revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Connecticut (em inglês).