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Bioma Cerrado: espécies podem estar sendo perdidas antes mesmo de serem descobertas
14 de agosto de 2025, 18:21

Fonte

Jayme Leno, Jornal UFG

Publicação Original

Áreas

Ciência Ambiental, Ecologia, Engenharia Florestal, Geografia, Gestão Ambiental, Monitoramento Ambiental, Sustentabilidade

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Resumo

Uma pesquisa recente alertou sobre a rápida perda de espécies no bioma Cerrado, especialmente em áreas ainda pouco conhecidas pela ciência, como a região norte.

A pesquisa foi liderada pela Dra. Rosane Garcia Collevatti, professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (ICB-UFG), e publicada recentemente na revista científica Biological Conservation.

O estudo destacou que as áreas atualmente mais ameaçadas do bioma são, contraditoriamente, as menos estudadas – um fenômeno que pode estar levando à extinção de espécies antes mesmo de serem registradas.

A pesquisa surgiu da constatação feita ao longo de mais de duas décadas de trabalho da pesquisadora. “Em muitas coletas, percebi que, ao retornar dois anos depois, a área simplesmente não existia mais. Isso acendeu o alerta de que estamos perdendo espécies antes mesmo de conhecê-las”, explicou a professora. A experiência levou à constatação de que muitas regiões do Cerrado vinham sendo convertidas pela agricultura intensiva antes mesmo de serem adequadamente estudadas.

O trabalho baseou-se em um extenso levantamento de dados da literatura científica, repositórios de teses e boletins técnicos de coletas botânicas no Cerrado, com o uso de ferramentas computacionais para sistematizar as informações.

“A partir dessas informações, conseguimos mapear quais regiões do bioma foram bem ou mal amostradas e associar esses dados com o grau de preservação atual dessas áreas”, explicou a professora Rosane.

A pesquisadora alerta que o resultado é preocupante: as regiões ao norte do bioma, especialmente partes do Maranhão, Piauí, norte da Bahia e Tocantins – região conhecida como Matopiba -, concentram os maiores vazios de conhecimento sobre a flora e, paradoxalmente, são também as áreas mais afetadas pelo desmatamento nos últimos anos.

“Esse tipo de estudo é fundamental para traçar estratégias de amostragem e financiamento em áreas prioritárias, além de sinalizar quais regiões devem ser preservadas com mais urgência”, concluiu a pesquisadora.

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Autores/Pesquisadores Citados

Professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (ICB-UFG)

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