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Resumo
Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) e do Centro de Referência para Lactobacilos (CERELA-CONICET), em Tucumán, na Argentina, desenvolveram uma bebida láctea fermentada e bioenriquecida feita com extrato de subprodutos da uva que consegue aumentar a expressão de genes relacionados à absorção e ao transporte de vitamina B9 (folato) e vitamina D.
Alguns indivíduos com deficiência de vitamina D não respondem à suplementação por não possuírem em suas células o receptor (VDR) desse nutriente, cuja ativação, segundo a literatura científica, poderia estar relacionada a um aumento na entrega de vitamina B9 para diversos órgãos do organismo. Mas, até agora, essa relação entre vitamina B9 e vitamina D tinha sido pouco explorada no intestino.
“Decidimos investigar como essa interação ocorre com as células intestinais, especificamente as do cólon, e avaliar se um leite fermentado bioenriquecido com folato poderia influenciar na expressão dos receptores de vitamina D e dos transportadores de folato no organismo”, disse a Dra. Susana Marta Isay Saad, professora titular aposentada da FCF-USP e orientadora do estudo.
Os pesquisadores prepararam então uma bebida enriquecida com folato formulada com subproduto de uva e soro de leite, e fermentada por microrganismos específicos potencialmente probióticos que aumentam o conteúdo natural da vitamina B9.
Inicialmente, a fórmula foi testada em uma linhagem de células intestinais humanas cultivadas em laboratório.
“Nesse experimento, observamos que no grupo de células tratadas com a bebida houve um aumento na expressão dos genes relacionados ao transporte de folato e do gene relativo ao receptor de vitamina D, em comparação ao grupo-controle [sem tratamento]”, explicou a recém-doutora Ana Clara Candelaria Cucick, que conduziu o experimento durante seu doutorado.
A fórmula com probióticos também foi analisada em camundongos submetidos a uma dieta deficiente em vitamina B9. “Após 21 dias de experimento, analisamos o sangue e o intestino dos camundongos. Ficou evidente que a bebida fermentada ajudou a evitar sinais de deficiência de folato nos camundongos, mas sua absorção pode ter sido limitada por características da própria matriz láctea. Pequenas mudanças na formulação, como uma menor adição de soro de leite, podem mitigar esse problema”, disse a Dra. Ana Clara Cucick, que integra o Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC).
Assim, foi possível observar que a falta de folato na dieta reduziu significativamente a expressão do receptor VDR da vitamina D no cólon de camundongos, indicando que o metabolismo do folato pode estar relacionado à ativação do receptor de vitamina D no órgão. “Esse achado é muito importante porque pode abrir caminho para novas pesquisas, ajudando a entender melhor essa relação e até levando a descobertas com aplicações terapêuticas”, afirmou a pesquisadora.
O trabalho abre caminhos para o desenvolvimento de alimentos funcionais que possam contribuir para a saúde intestinal e nutrição humana, já que o aumento da expressão do gene do receptor de vitamina D no cólon pode trazer diversos benefícios, principalmente ação anti-inflamatória.
Os resultados foram publicados na revista científica Food Bioscience.
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