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Carolin Lerch, Centro de Comunicação Corporativa da TUM
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Resumo
Após a análise de populações bacterianas em amostras de saliva e fezes de 86 pacientes, pesquisadores identificaram que bactérias da boca acabam migrando para o microbioma intestinal e agravando o quadro de doença hepática crônica.
Cepas bacterianas quase idênticas foram recuperadas da boca e do intestino dos pacientes. Através de análise genética, os cientistas verificaram que essas bactérias carregam genes que codificam enzimas de degradação de colágeno, o que pode fragilizar a barreira intestinal e contribuir para a doença hepática crônica.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Todos os anos, mais de dois milhões de pessoas morrem de doença hepática crônica.
Pesquisas anteriores associaram alterações no microbioma intestinal à doença hepática e sugeriram que bactérias normalmente encontradas na boca podem colonizar o intestino.
Estudo
Uma equipe liderada por cientistas da Universidade Técnica de Munique (TUM), na Alemanha, e do King’s College London, no Reino Unido, encontrou fortes evidências de que bactérias da boca migram para o intestino em casos de doença hepática crônica e agravam a doença.
O estudo, publicado na revista científica Nature Microbiology, mostrou que cepas bacterianas idênticas ocorrem tanto na boca quanto no intestino de pacientes com doença hepática crônica avançada – incluindo Veillonella e Streptococcus spp. – e também revelou um mecanismo pelo qual as bactérias orais afetam a saúde intestinal. Os pesquisadores também descobriram que esse processo coincide com a piora da saúde do fígado.
Pesquisadores analisaram populações bacterianas em amostras de saliva e fezes de 86 pacientes. A equipe descobriu que tanto o microbioma intestinal quanto o oral sofrem alterações significativas à medida que a doença hepática piora, sendo que as alterações no microbioma oral já eram detectáveis em estágios iniciais da doença.
Essas cepas são tipicamente encontradas na boca e raramente estão presentes no intestino saudável. No entanto, observamos aumentos na abundância absoluta dessas bactérias orais em pacientes com doença hepática crônica avançada. Isso sugere fortemente que essas bactérias migram da boca e colonizam o intestino
Resultados
Em indivíduos saudáveis, as comunidades bacterianas diferem bastante entre as diversas partes do corpo. Em pacientes com doença hepática, no entanto, os microbiomas oral e intestinal tornaram-se cada vez mais semelhantes à medida que a doença progredia, e cepas bacterianas quase idênticas foram recuperadas da boca e do intestino dos pacientes.
A equipe identificou diversas espécies de bactérias orais que colonizaram o intestino dos pacientes. Além disso, também encontraram evidências de que níveis mais altos dessas bactérias em amostras de fezes estavam associados a danos na barreira intestinal.
“Para investigar essa ligação [entre bactérias da boca e do intestino], realizamos uma análise genética. Descobrimos que essas bactérias carregam genes que codificam enzimas de degradação de colágeno”, destacou Shen Jin, doutorando na TUM e um dos primeiros autores do estudo.
A equipe confirmou a atividade dessas enzimas testando bactérias isoladas de amostras de fezes e sintetizando a enzima. “A degradação do colágeno pode comprometer a barreira intestinal, permitindo que bactérias e produtos bacterianos alcancem outros órgãos, como o fígado. Acreditamos que isso pode agravar a doença”, explicou Aurélie Cenier, doutoranda na TUM e coautora principal do estudo.
Experimentos em um modelo murino de doença hepática confirmaram a hipótese: a introdução dessas bactérias provenientes de pacientes humanos aumentou os danos à barreira intestinal e piorou a fibrose hepática.
Mas o estudo também evoluiu a ponto de sugerir uma nova abordagem diagnóstica: a equipe examinou com mais detalhes o gene bacteriano envolvido na degradação do colágeno. A abundância desse gene em amostras de fezes pode servir como um futuro marcador da doença. No estudo, a presença do gene serviu para distinguir de forma confiável indivíduos doentes de indivíduos saudáveis.
Nossas descobertas abrem novas estratégias terapêuticas potenciais para pessoas com doença hepática crônica avançada. Proteger ou restaurar a barreira intestinal pode ajudar a retardar a progressão da doença. Intervir no microbioma oral oferece uma maneira de influenciar positivamente o curso da doença e prevenir complicações clínicas
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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