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Por Redação SciAdvances
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A esquizofrenia é uma doença mental debilitante caracterizada por alucinações, delírios e déficits cognitivos persistentes que frequentemente podem limitar a capacidade do indivíduo de trabalhar, socializar e viver de forma independente.
Embora exista há muito tempo a suspeita de que microrganismos no corpo possam contribuir para esse declínio cognitivo, a maioria dos estudos se concentrou na microbiota intestinal.
Mas, nos últimos anos, têm surgido evidências de que a comunidade de microrganismos que vive na boca também pode desempenhar um papel importante sobre a doença.
Pesquisadores do Instituto de Ciência de Tóquio, no Japão, relataram uma associação importante entre a microbiota oral e o desempenho cognitivo em pacientes com esquizofrenia.
Os pesquisadores consideraram como hipótese de pesquisa que alterações no ecossistema bacteriano oral poderiam estar ligadas a um pior desempenho cognitivo, seja por meio do aumento da inflamação ou por meio de mudanças em funções microbianas essenciais.
Para validar a hipótese, eles avaliaram a capacidade cognitiva e coletaram amostras de saliva de 68 pacientes com esquizofrenia e 32 indivíduos saudáveis e realizaram a análise das amostras por meio de sequenciamento genético.
Então, os pesquisadores utilizaram uma ferramenta computacional específica para prever o potencial funcional das comunidades microbianas com base em seus perfis genéticos.
Para avaliar a inflamação – que poderia afetar a função cerebral – os cientistas mediram a atividade na via da quinurenina, uma via metabólica ligada à ativação imunológica e frequentemente utilizada como um indicador indireto de neuroinflamação.
O estudo foi publicado recentemente na revista científica Schizophrenia Bulletin.
Os resultados mostraram uma clara associação entre a diversidade da microbiota oral e o desempenho cognitivo.
Pacientes com esquizofrenia apresentaram comunidades bacterianas orais menos diversas que os participantes controles e tiveram pior desempenho nos testes cognitivos.
No grupo com esquizofrenia, a microbiota oral dos participantes apresentou um desequilíbrio em grupos bacterianos importantes, com uma proporção maior de Streptococcus em relação a Prevotella, juntamente com alterações em outros gêneros importantes.
Os resultados sugerem que alterações na microbiota oral estão associadas à disfunção cognitiva em pessoas com esquizofrenia, destacando o microbiota oral como uma janela acessível para os estados microbianos ligados à cognição.
O Dr. Takehiro Tamura, professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais do Instituto de Ciência de Tóquio e primeiro autor do estudo, destacou que o estudo oferece uma nova perspectiva sobre o eixo oral-cerebral e estabelece as bases para futuros estudos de intervenção, incluindo estudos sobre medidas de higiene oral, prebióticos e probióticos.
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Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
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