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Departamento de Agricultura dos EUA via Wikimedia Commons
Enterococcus faecalis
Por Redação SciAdvances
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Infecções crônicas em feridas são difíceis de tratar porque algumas bactérias podem interferir ativamente nas defesas imunológicas do corpo.
Em feridas, a bactéria Gram-positiva do sistema digestivo humano Enterococcus faecalis (E. faecalis) é particularmente resistente: ela pode sobreviver dentro de tecidos, alterar o ambiente da ferida e enfraquecer os sinais imunológicos no local da lesão.
Essa perturbação cria condições para que outros micróbios possam se estabelecer facilmente, resultando em infecções complexas de vários espécies de patógenos.
Essas feridas persistentes, incluindo úlceras de pé diabético e infecções pós-cirúrgicas, afetam significativamente a qualidade de vida dos pacientes e podem ter desdobramentos graves, como amputações.
Recentemente, pesquisadores descobriram como a bactéria E. faecalis libera grandes quantidades de ácido lático em feridas para acidificar o ambiente ao seu redor e suprimir a ativação de macrófagos, células imunológicas que normalmente ajudam a eliminar infecções.
Segundo os pesquisadores, o ácido lático ‘desliga’ um importante sinal de alarme imunológico. Então, a bactéria pode causar infecções persistentes e difíceis de tratar em feridas. Isso explica por que algumas feridas têm dificuldade para cicatrizar, mesmo com tratamento, e por que infecções envolvendo múltiplas bactérias são especialmente difíceis de curar.
Em um modelo de ferida em camundongos, os cientistas mostraram que cepas de E. faecalis incapazes de produzir ácido lático foram eliminadas muito mais rapidamente, e as feridas também apresentaram maior atividade imunológica.
Em feridas infectadas tanto com E. faecalis quanto com Escherichia coli, a resposta imunológica enfraquecida causada pelo ácido lático também permitiu que a E. coli tivesse proliferação mais intensa.
O trabalho foi liderado por cientistas do grupo de pesquisa interdisciplinar sobre resistência antimicrobiana da Aliança Singapura-MIT para Pesquisa e Tecnologia (SMART), juntamente com pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura; do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, e da Universidade de Genebra, na Suíça.
A pesquisa foi publicada na revista científica Cell Host & Microbe.
O Dr. Ronni Anderson Gonçalves da Silva, cientista pesquisador do grupo SMART e primeiro autor do estudo, explicou que as infecções crônicas de feridas frequentemente falham não porque os antibióticos sejam ineficazes, mas porque o sistema imunológico foi efetivamente ‘desligado’ no local da infecção.
O Dr. Ronni Anderson, que é bioquímico formado na Universidade Federal de Viçosa, no Brasil, destacou que, ao identificar como a acidez reprograma a sinalização imunológica, agora existem alvos claros para reativar a resposta imune.
A Dra. Kimberly Kline, pesquisadora principal do grupo SMART, professora da Universidade de Genebra e autora sênior do artigo, ressaltou que a descoberta fortalece a compreensão das interações entre hospedeiro e patógeno e oferece novas direções para novos tratamentos e cuidados com feridas que visem as estratégias imunossupressoras das bactérias.
A pesquisa pode ajudar a melhorar o controle de infecções e promover melhores resultados de recuperação para os pacientes, especialmente aqueles com feridas crônicas ou imunidade enfraquecida.
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Mais Informações
Acesse a página do grupo de pesquisa interdisciplinar sobre resistência antimicrobiana da Aliança Singapura-MIT para Pesquisa e Tecnologia (SMART) (em inglês).
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