Com publicação científica

Anafilaxia em crianças
Atraso na administração de adrenalina em casos de anafilaxia alimentar em crianças pode ser fatal
Estudo no Reino Unido mostrou a importância do uso imediato de adrenalina em casos graves

Shutterstock-Pixelsquid

Autoinjetor de adrenalina Epipen

Por Redação SciAdvances

2 de maio de 2026, 17:23

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Alergologia, Cardiologia, Entrega de Medicamentos, Epidemiologia, Indústria Farmacêutica, Medicina, Pediatria, Pneumologia, Urgência e Emergência

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Anafilaxia em crianças

A anafilaxia é uma reação alérgica grave, de início rápido e que pode ser fatal. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), na infância, os alimentos são a causa mais frequente de anafilaxia: leite, ovos, amendoim, castanhas, trigo, soja, peixes e frutos do mar estão entre os gatilhos mais comuns.

A anafilaxia alimentar fatal é rara, mas pode ser evitada com a administração imediata de epinefrina (nome técnico da adrenalina) por intermédio de um dispositivo autoinjetor, que pode ser manuseado por cuidadores ou mesmo pela própria pessoa. A ação da adrenalina pode evitar a progressão da anafilaxia até o atendimento em um serviço de emergência, evitando uma parada cardíaca.

Segundo a organização Anaphylaxis UK, do Reino Unido, as internações hospitalares por alergias alimentares em crianças aumentaram 600% nas últimas duas décadas. Em 2024, um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Healh revelou que as taxas de alergia alimentar dobraram entre 2008 e 2018, com um aumento significativo nos casos infantis.

Pesquisas anteriores sobre mortes por asma e anafilaxia constataram que a maioria dos casos fatais em crianças foi desencadeada por alimentos e ocorreu em casa, em espaços públicos ou em escolas, o que alerta para a necessidade de melhorar o atendimento pré-hospitalar.

Avanço: análise de casos e desfechos reais de anafilaxia alimentar em crianças mostra ações necessárias

Em uma pesquisa apresentada recentemente na Conferência do Royal College of Emergency Medicine, no Reino Unido, cientistas destacaram que atrasos na administração (por cuidadores ou responsáveis ou mesmo autoadministração) de adrenalina quando acontece anafilaxia alimentar em crianças podem levar a desfechos fatais.

Na Conferência, pesquisadores da Universidade de Bristol e do Hospital Infantil de Bristol apresentaram resultados de dois estudos publicados na revista científica Clinical & Experimental Allergy no final de 2025 que examinaram dados do Banco de Dados Nacional de Mortalidade Infantil (NCMD) sobre anafilaxia fatal induzida por alimentos em crianças.

O primeiro estudo examinou os fatores que contribuíram para as mortes trágicas de 19 crianças entre 2019 e 2023 por anafilaxia alimentar, causadas por leite (7 casos), nozes (5 casos) e ovos (um caso), além de 5 casos em que alérgeno não foi identificado. Das 19 crianças, 17 tinham recebido prescrição de dispositivo autoinjetor de adrenalina.

No segundo estudo, a mesma equipe de pesquisa analisou a cronologia dos eventos da anafilaxia alimentar fatal para identificar lições que pudessem aprimorar o manejo hospitalar.

Ambos os estudos identificaram intervenções importantes que podem ajudar a prevenir futuras tragédias.

Resultados dos estudos mostram importância de dispositivo autoinjetor de adrenalina

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Autores/Pesquisadores Citados

Professor da Escola de Medicina da Universidade de Bristol

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