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Por Redação SciAdvances
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A solidão na terceira idade é um dos maiores desafios de saúde pública deste século. A solidão crônica pode ser um fator de risco para doenças cardiovasculares, fragilidade física, declínio da mobilidade e também para problemas de saúde mental e cognitiva, como depressão, demência e distúrbios do sono.
Mas algumas tentativas exitosas têm sido desenvolvidas para ajudar a recuperar a saúde e o bem-estar de pessoas da terceira idade, principalmente envolvendo a questão do convívio social e a aproximação da natureza.
Na Finlândia, o programa ‘Círculo de Amigos’, da Associação Finlandesa para o Bem-Estar de Idosos já atraiu mais de 13.000 adultos para atividades em grupo em mais de 100 municípios. Após o término das atividades oficiais, 65% dos grupos continuaram as atividades de forma independente.
Recentemente, um estudo clínico randomizado e controlado, financiado pela União Europeia e conduzido pela Universidade de Helsinque e pelo Hospital Universitário de Helsinque (HUS), na Finlândia, investigou a solidão vivenciada por idosos residentes em casas de repouso e em residências assistenciais com serviço 24 horas, bem como a eficácia de atividades em grupo em contato com a natureza.
O estudo introduziu o modelo bem-sucedido do programa ‘Círculo de Amigos’, considerando experiências próximas da natureza, em seis países, envolvendo 319 idosos residentes em casas de repouso, com idade média de 83 anos. Pouco mais da metade dos participantes apresentava distúrbios de memória.
Os participantes foram aleatoriamente divididos em dois grupos: um grupo com162 participantes que recebeu intervenções baseadas na natureza, uma vez por semana, durante 9 semanas, e um segundo grupo com 157 participantes que recebeu os cuidados habituais.
No grupo com intervenção na natureza, o estudo incluiu excursões ao ar livre com foco na promoção do bem-estar e da saúde por meio do apoio entre pares e de atividades específicas.
Os pesquisadores treinaram 52 instrutores de grupo em lares de idosos de Helsinque, que posteriormente disseminaram as práticas oferecidas aos idosos em contato com a natureza.
A Dra. Kaisu Pitkälä, diretora e professora do Departamento de Clínica Geral e Atenção Primária à Saúde da Universidade de Helsinque, explicou que as atividades em grupo na natureza, mesmo que apenas durante a curta duração do estudo, já reduziram a solidão, melhoraram o sono e a memória e também a sensação de conexão com a natureza, em relação aos participantes do grupo que recebeu os cuidados habituais.
Os pesquisadores ficaram surpresos com os bons resultados, apesar de os participantes apresentarem múltiplas doenças. O contexto da realização das atividades ainda contou com dificuldades e desafios, tanto em termos de clima quanto de transporte, já que todos os participantes se deslocavam para as excursões em cadeiras de rodas e em transporte adaptado. Segundo a professora Kaisu Pitkälä, atividades com duração maior teriam potencializado ainda mais os resultados.
A professora e pesquisadora ressaltou a necessidade de idosos em casas de repouso visitarem ambientes externos e a natureza com mais frequência e a importância das terapias não medicamentosas para idosos frágeis com comprometimento de memória que recebem cuidados contínuos.
Os resultados foram publicados na revista científica Age and Aging e também na revista científica Journal of the American Medical Directors Association.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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Acesse também o artigo completo publicado na revista Journal of the American Medical Directors Association (em inglês).
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