Com publicação científica

Mladen Mitrinovic via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
A ansiedade no envelhecimento é comum e frequentemente ligada a mudanças físicas, perdas, doenças crônicas e limitações funcionais.
Porém, à medida que a pessoa altera seu estado psicológico devido a questões que podem aparecer durante o processo do envelhecimento, isso pode causar alterações biológicas que podem acelerar ainda mais o processo.
A ansiedade em relação ao envelhecimento, particularmente o medo do declínio da saúde, pode se manifestar em nível celular e contribuir para o envelhecimento acelerado em mulheres, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública Global da Universidade de Nova York (NYU), nos EUA.
Mariana Rodrigues, doutoranda da Escola de Saúde Pública Global da NYU e primeira autora do estudo, destacou que experiências subjetivas podem estar influenciando medidas objetivas de envelhecimento, e que a ansiedade relacionada ao envelhecimento não é apenas uma preocupação psicológica, mas pode deixar marcas no corpo com consequências reais para a saúde. Mariana Rodrigues é psicóloga formada no Brasil, no Centro Universitário UNA.
Dados de estudo clínico
Para compreender melhor a relação entre a ansiedade em relação ao envelhecimento e o próprio envelhecimento, os pesquisadores analisaram dados de 726 mulheres que participaram do estudo longitudinal Midlife in the United States (MIDUS) nos EUA.
No estudo MIDUS, as mulheres foram questionadas sobre o quanto se preocupavam em se tornar menos atraentes com a idade, em ter mais problemas de saúde e em não poderem ter filhos devido à idade.
O estudo também coletou amostras de sangue para medir o envelhecimento usando dois ‘relógios epigenéticos’: um que captura o ritmo do envelhecimento biológico, chamado DunedinPACE, e outro que estima o dano biológico cumulativo, o GrimAge2.
A pesquisa identificou que ter mais ansiedade em relação ao envelhecimento foi um fator associado ao envelhecimento epigenético acelerado, como indicado pelo relógio epigenético DunedinPACE. Essas mudanças biológicas podem contribuir para o declínio físico e o aumento da vulnerabilidade a doenças relacionadas ao envelhecimento.
A preocupação com a saúde debilitada apresentou as associações mais fortes com o envelhecimento epigenético.
Os pesquisadores destacaram que a saúde mental e física ao longo da vida estão intimamente conectadas — apesar de frequentemente serem tratadas separadamente.
O Dr. Adolfo Cuevas, professor de Escola de Saúde Pública Global da NYU e autor sênior do estudo, ressaltou que a pesquisa identificou a ansiedade relacionada ao envelhecimento como um determinante psicológico mensurável e modificável que parece estar moldando a biologia do envelhecimento.
Os pesquisadores destacaram que o estudo não descarta a possibilidade de que outros fatores estejam influenciando essas mudanças biológicas: não só a ansiedade em si, mas também comportamentos prejudiciais à saúde associados à ansiedade, como o tabagismo e o consumo de álcool.
Por isso, mais estudos são necessários para compreender melhor aspectos importantes da ansiedade gerada durante o processo de envelhecimento e o próprio envelhecimento.
Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Outros avanços

Universidade de Helsinque


