Com publicação científica

Giovanni Cancemi via Shutterstock
Ilustração 3D de vírus da hepatite
Por Redação SciAdvances
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As hepatites virais são doenças infecciosas sistêmicas, que podem ser causadas por cinco tipos diferentes de vírus (A, B, C, D e E) e podem se manifestar de forma leve ou assintomática mas também de forma aguda ou crônica, levando à cirrose ou câncer hepático.
Além da manifestação primária no fígado, as infecções também podem ter manifestações extra-hepáticas em outros órgãos do corpo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais constituem um tipo de doença negligenciada, sendo a segunda principal causa de morte por infecção no mundo, responsável por aproximadamente 1,3 milhão de óbitos por ano.
Pesquisadores descobriram um conjunto de genes capaz de indicar como as hepatites virais podem evoluir em humanos.
Essa rede de genes – o chamado neuroimunoma – conecta o sistema nervoso ao sistema imunológico e poderia servir como um biomarcador para prever a gravidade da lesão no fígado, o risco de câncer hepático ou mesmo complicações psiquiátricas decorrentes da infecção.
O Dr. Otávio Cabral-Marques, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e autor sênior do estudo, destacou que células do sistema imunológico de pacientes com hepatite viral expressam genes que também estão associados ao sistema nervoso. Segundo o pesquisador, isso mostra que os dois sistemas estão integrados no neuroimunoma, coordenando respostas por todo o corpo, especialmente durante a hepatite.
O estudo, publicado na revista científica Journal of Medical Virology, analisou dados de mais de 1.800 amostras de bancos de dados públicos dos Estados Unidos, Itália, China, Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Taiwan, incluindo informações sobre tecidos do fígado e células de sangue infectadas pelos diferentes vírus da hepatite.
Usando técnicas de aprendizado de máquina, os pesquisadores identificaram que, à medida que a hepatite viral progride para o câncer de fígado (hepatocarcinoma), ocorre uma desregulação do neuroimunoma, com alguns genes tendo suas expressões alteradas.
O estudo foi liderado por pesquisadores da Faculdade de Medicina; Faculdade de Ciências Farmacêuticas; Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação e Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), com a participação de cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Hospital Israelita Albert Einstein e também da Universidade Médica Khyber, no Paquistão.
As análises mostraram que dois genes específicos ficaram progressivamente alterados conforme a gravidade do hepatocarcinoma aumenta.
Além disso, outros três genes do neuroimunoma aparecem tanto na progressão do hepatocarcinoma quanto em condições de saúde mental como depressão e ansiedade.
Apesar do estudo considerar dados de pessoas infectadas por hepatites virais, os pesquisadores acreditam que essa conexão do neuroimunoma pode ocorrer também em outras doenças.
De acordo com os pesquisadores, embora o trabalho não tenha analisado a relação entre hepatite, sistema neuroimune e a gravidade de depressão ou ansiedade, há evidências de forte associação entre o neuroimunoma e manifestações psiquiátricas na hepatite.
Adriel Leal Nóbile, cientista de dados, doutorando da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (FCF-USP) e primeiro autor do estudo, concluiu que, com mais estudos, o neuroimunoma poderia servir como um marcador tanto para prever a gravidade da doença hepática quanto para indicar possíveis complicações psiquiátricas na hepatite.
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