Com publicação científica
Lesões e traumas
Nos EUA, aumentam casos de lesões envolvendo jovens em bicicletas e patinetes motorizados
Estudo multicêntrico nos EUA destacou os desafios de saúde pública trazidos pelo uso de equipamentos de transporte motorizados

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Acidentes com bicicletas e patinetes elétricos podem causar lesões e traumas graves
Por Redação SciAdvances
4 de novembro de 2026, 12:51
Fonte
Áreas
Atenção Primária, Cirurgia, Epidemiologia, Medicina, Medicina Intensiva, Ortopedia, Saúde da Criança, Urgência e Emergência
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Lesões e traumas
Equipamentos de transporte motorizados, como bicicletas e patinetes elétricos (e-bikes e e-patinetes), facilitam a locomoção mas também podem trazer riscos elevados de lesões e traumas.
Recursos de segurança – como capacetes, protetores e roupas adequadas, além de sinalizadores e iluminação no equipamento – são frequentemente desconsiderados pelos usuários. Além disso, crianças cada vez menores estão usando e-bikes e e-patinetes, muitas vezes sem a preocupação necessária.
Como as velocidades atingidas podem ser consideravelmente altas em relação a equipamentos não motorizados, lesões e traumas têm sido cada vez mais comuns.
Neste cenário, diversas associações médicas de trauma e autoridades de saúde já tratam o tema como uma epidemia emergente de lesões.
Avanço: análise de registros de saúde mostrou aumento preocupante de ferimentos e lesões devido ao uso de equipamentos motorizados
Nos EUA, um estudo liderado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Stanford mostrou que lesões envolvendo bicicletas e patinetes elétricos estão aumentando entre crianças e adolescentes em todo o país.
De acordo com os pesquisadores, o risco de sofrer ferimentos graves ao utilizar esses equipamentos é maior do que ao usar veículos não motorizados.
Os pesquisadores analisaram os prontuários de 13.307 pacientes com menos de 18 anos que sofreram lesões envolvendo bicicletas elétricas, bicicletas convencionais, patinetes elétricos, patinetes não motorizados e skates. Foram considerados os prontuários registrados entre janeiro de 2023 e março de 2026.
Foram avaliadas a idade dos pacientes, a gravidade das lesões e os locais onde o atendimento foi realizado: unidades de pronto atendimento, prontos-socorros e/ou hospitais.
Embora as taxas de todos os tipos de lesões estivessem aumentando, os crescimentos mais expressivos foram observados em acidentes envolvendo bicicletas elétricas e patinetes elétricos, que registraram um aumento exponencial durante o período estudado.
O estudo foi publicado na revista científica JAMA.
Resultados são preocupantes e indicam grave problema de saúde pública
O Dr. Alan Schroeder, professor de Pediatria na Escola de Medicina de Stanford e primeiro autor do estudo, destacou que, no período estudado, as lesões envolvendo bicicletas elétricas aumentaram 33% a cada trimestre, enquanto as lesões relacionadas a patinetes elétricos cresceram 15% por trimestre. De acordo com o professor, esses aumentos foram substancialmente maiores do que os observados em lesões causadas por bicicletas e patinetes não motorizados.
A Dra. Stephanie Chao, professora de Cirurgia e Pediatria em Stanford e coautora do estudo, destacou que as crianças estão chegando com lesões cada vez mais graves aos hospitais.
A professora ressaltou que lesões cerebrais foram cerca de duas vezes mais frequentes entre crianças que sofreram acidentes com bicicletas e patinetes elétricos do que entre aquelas que utilizavam veículos não motorizados.
Além disso, a proporção de pacientes feridos que precisaram de hospitalização foi maior entre os usuários de bicicletas elétricas do que em qualquer outro grupo analisado: 17% dos acidentes com bicicletas elétricas necessitaram de internações hospitalares.
Lesões de alta gravidade afetaram 8% dos pacientes envolvidos em acidentes com bicicletas elétricas, em comparação com 4% dos pacientes que sofreram acidentes com bicicletas não motorizadas; o mesmo ocorreu com 5% dos usuários de patinetes elétricos e 2% dos usuários de patinetes não motorizados.
Foram consideradas lesões graves aquelas que exigiram internação em unidade de terapia intensiva (UTI), lesões neurológicas, vasculares, torácicas, abdominais, pélvicas ou cervicais de grande porte, amputações traumáticas, esmagamentos graves e fraturas ósseas que necessitaram de intervenção cirúrgica.
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Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
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