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Ilustração 3D com destaque para o intestino grosso e reto
Por Redação SciAdvances
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Um dos maiores desafios da oncologia moderna é vencer a resistência que as células cancerígenas apresentam frente às ações de defesa do sistema imunológico. Essa resistência permite não só a sobrevivência do tecido tumoral, como também sua propagação para outros lugares, na forma de metástase.
Há várias décadas existe na oncologia uma teoria (modelo do reostato de esfingolipídeos) que defende que as células cancerígenas frequentemente se aproveitam dos níveis elevados de esfingosina-1-fosfato (S1P) para promover o seu crescimento, e também reduziriam sua morte controlando a ceramida, cujos altos níveis facilitariam a morte celular.
Compreender como esse mecanismo de favorecimento do crescimento e defesa contra a morte é usado pelas células é fundamental para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer.
Sob a liderança de cientistas da Universidade do Sul da Flórida e do Hospital Geral de Tampa, nos EUA, e da Universidade Hokkaido, no Japão, uma nova pesquisa avançou no conhecimento de um mecanismo importante por trás da resistência de células cancerígenas ao ataque do sistema imunológico no câncer colorretal metastático (mCRC).
Os cientistas mostraram que o mecanismo de desequilíbrio entre S1P e ceramida não opera no interior das células cancerígenas, mas sim no microambiente tumoral, onde a S1P cria uma barreira bioquímica localizada que impede o sistema imunológico de atacar o tumor.
Essa conclusão foi apoiada na análise de 574 amostras de tecido de câncer colorretal humano com tecnologia avançada de mapeamento. Com esse material, os pesquisadores mostraram que, à medida que o câncer colorretal se dissemina, é no tecido de suporte circundante às células cancerígenas que a SP1 aumenta enquanto a ceramida cai significativamente.
Isso cria um estado de inflamação contínua e prejudicial que bloqueia as células imunológicas assassinas, impedindo-as de se aproximar o suficiente para combater e destruir o tumor.
Além de descobrir onde o mecanismo realmente age, os pesquisadores identificaram uma assinatura específica de três genes que atua como alerta para câncer agressivo.
A alta atividade dessa assinatura gênica está fortemente associada ao câncer em estágio avançado, disseminação do tumor para linfonodos, menores taxas de sobrevida dos pacientes e respostas insatisfatórias à imunoterapia.
Em experimentos de laboratório, o bloqueio de dois componentes-chave dessa assinatura gênica (S1P e S1PR3) permitiu que células do sistema imune retornassem e atacassem novamente, com sucesso, as células cancerígenas.
Os cientistas destacaram que a resistência do câncer colorretal metastático à imunoterapia pode ser explicada por esse ‘escudo bioquímico’ criado pela S1P e S1PR3, que protege o câncer do sistema imune no tecido de suporte circundante.
Pelos resultados do estudo, a inibição da via S1P/S1PR3 pode ser uma estratégia combinada promissora para aumentar a eficácia da imunoterapia em casos de câncer colorretal avançado. Mas mais estudos ainda são necessários.
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