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Ilustração 3D do intestino delgado
Por Redação SciAdvances
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Atualmente, os endoscópios são recursos importantes para examinar o trato gastrointestinal, permitindo o acesso a imagens, amostras e até a remoção de pólipos.
Os exames convencionais possibilitam o acesso até o início do intestino delgado (endoscopia digestiva alta) ou intestino grosso (colonoscopia), mas ainda existe um desafio de examinar o intestino delgado, que é longo e sinuoso.
Uma das alternativas existentes é a endoscopia por cápsula: a cápsula ingerida pelo paciente contém uma câmera que transmite imagens para um dispositivo externo enquanto percorre o sistema gastrointestinal.
Embora esse tipo de endoscopia seja eficiente para o monitoramento de certas condições, as cápsulas não coletam amostras, que poderiam trazer novas informações, por exemplo, sobre o microbioma intestinal.
Pesquisadores da Universidade de Tóquio e da Universidade Nagoya, no Japão, estão desenvolvendo uma cápsula compacta para coletar amostras do intestino delgado utilizando uma minúscula escova retrátil controlada magneticamente.
O protótipo, ainda em fase inicial de desenvolvimento, é um dispositivo compacto que contém uma escova flexível, um mecanismo de rosca e ímãs. A equipe testou a cápsula em laboratório, utilizando segmentos de intestino delgado extraídos de porcos.
Dois braços robóticos equipados com ímãs externos foram usados para controlar os ímãs internos da cápsula sem contato físico direto. Um dos braços estabilizava a cápsula próxima à área-alvo, enquanto o outro acionava o mecanismo interno de rosca para estender a escova, coletar a amostra e recolhê-la para o interior do dispositivo.
Segundo o Dr. Yuguo Dai, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Tóquio e primeiro autor do estudo, a cápsula conseguiu coletar ativamente amostras biológicas adequadas para o sequenciamento do gene 16S rRNA, um método comumente utilizado na análise do microbioma.
De acordo com o pesquisador, a tecnologia poderia complementar os métodos clínicos de coleta existentes, especialmente para pacientes que necessitam de amostras provenientes de regiões de difícil acesso.
Os resultados obtidos até agora com os testes em laboratório servem como prova de conceito e como motivação para continuar o desenvolvimento, mostrando que o dispositivo pode funcionar, apesar dos desafios que ainda existem.
Agora, os pesquisadores pretendem continuar a pesquisa em duas frentes: reduzir ainda mais as dimensões da cápsula, para facilitar a ingestão e o deslocamento no gastrointestinal, e também aumentar a distância de operação dos ímãs, para facilitar o posicionamento dos controles.
Caso a tecnologia consiga passar por uma validação clínica em um futuro próximo, o Dr. Yuguo Dai ressaltou que o minirrobô poderia ajudar a revelar como as comunidades microbianas variam em diferentes pontos do intestino humano, trazendo novas informações sobre a diversidade do ambiente intestinal e sua relação com a saúde.
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