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Por Redação SciAdvances
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Os herpesvírus são uma família de vírus de DNA que causam diversas infecções em humanos e animais. Sua característica peculiar é a capacidade de permanecerem latentes no organismo por períodos prolongados; sua reativação pode levar a condições como ceratite, uveíte ou retinite viral.
A retinite por herpesvírus é uma infecção ocular que causa comprometimento visual significativo, caracterizada pela destruição do tecido retiniano e inflamação vascular.
Frequentemente, a condição evolui para descolamento da retina, que afeta de forma significativa o prognóstico da doença e as opções de tratamento.
Duas formas clínicas principais de retinite viral são a necrose retiniana aguda e a retinite por citomegalovírus.
Pesquisadores do Instituto de Ciência de Tóquio (Science Tokyo), no Japão, conduziram um estudo de coorte longitudinal retrospectivo (entre 2013 e 2025) que trouxe novos conhecimentos sobre a retinite causada por herpesvírus e sua relação com o estado imunológico do paciente.
Em um estudo com 64 pacientes com necrose retiniana aguda e 56 com retinite por citomegalovírus, os pesquisadores avaliaram os sintomas clínicos, os padrões de descolamento de retina, as estratégias de tratamento e os desfechos clínicos nas duas doenças.
A equipe de pesquisa investigou como o estado imunológico do paciente influencia o fenótipo clínico, bem como o risco de descolamento de retina e de comprometimento visual grave decorrentes da retinite por herpesvírus. O estudo foi publicado na revista científica Ophthalmology Retina.
O Dr. Koju Kamoi, professor do Science Tokyo e autor sênior do estudo, explicou que foi realizada uma análise abrangente da evolução clínica da retinite por herpesvírus, incluindo o estado imunológico, subtipo da doença, acuidade visual na apresentação, extensão das lesões retinianas, gravidade da inflamação, resultados de exames de fluidos intraoculares, momento do diagnóstico de descolamento de retina, intervenções terapêuticas e desfechos visuais finais.
Os resultados mostraram que a retinite por citomegalovírus esteve fortemente associada a condições de imunossupressão — particularmente linfoma, doenças autoimunes, histórico de transplante e terapia imunossupressora prévia, com uma progressão lenta.
Já a necrose retiniana aguda foi mais comum em indivíduos imunocompetentes, sendo frequentemente unilateral e com um fenótipo clínico de progressão mais rápida, com um comprometimento retiniano mais extenso e associada à inflamação vítrea grave e necrose periférica. Pacientes afetados pela necrose retiniana aguda apresentaram maior probabilidade de desenvolver descolamento da retina.
Essas descobertas mostraram a importância do estado imunológico do paciente na avaliação da retinite por herpesvírus.
Tratamentos cirúrgicos foram associados a melhores desfechos visuais. Isso ressalta a importância de uma intervenção oportuna, embora o estudo não tenha estabelecido uma relação de causalidade direta entre cirurgia e benefício visual.
De acordo com o professor Koju Kamoi, uma avaliação abrangente do estado imunológico do paciente e dos achados oculares pode permitir uma previsão mais precisa do risco de progressão grave da doença e de comprometimento visual, o que pode orientar o monitoramento e o manejo clínico.
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