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Por Redação SciAdvances
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Para desenvolver novos tratamentos direcionados contra o câncer, cientistas precisam de modelos de tecidos que representem com precisão as características genéticas e moleculares do câncer que estão estudando.
Para avançar neste sentido, foi lançada em 2016 a Human Cancer Models Initiative (HCMI), cujo objetivo é criar modelos de câncer de nova geração derivados de pacientes — como organoides, células reprogramadas condicionalmente, neuroesferas ou modelos de condições ideais de crescimento — para servirem como recurso de pesquisa para a comunidade científica.
Sob a liderança do Instituto Koch para Pesquisa Integrativa de Câncer do MIT, Instituto Broad, Instituto de Câncer Dana-Farber e do Instituto Nacional de Câncer (NCI/NIH), nos EUA, uma equipe internacional de cientistas desenvolveu mais de 600 novos modelos de câncer, derivados de tumores de pacientes.
Mais de 2.700 amostras de tumores foram obtidas em hospitais participantes do estudo, provenientes de pacientes que autorizaram o uso de suas células para fins de pesquisa. Essas amostras foram coletadas por hospitais nos Estados Unidos, no Reino Unido e nos Países Baixos.
As células representam 25 tipos diferentes de câncer e já estão disponíveis para uso por pesquisadores de câncer em todo o mundo. Os modelos são resultado da Human Cancer Models Initiative (HCMI).
A maioria dessas amostras representa tipos comuns de câncer, como câncer de pulmão, fígado e pâncreas, mas o conjunto também inclui cerca de 150 tipos raros, incluindo tumores de vesícula biliar e de intestino delgado.
Para melhorar a usabilidade dos materiais por tempo indeterminado, os cientistas tentaram converter essas amostras de células tumorais em organoides — culturas celulares em 3D que podem sobreviver indefinidamente e mimetizar as características genéticas e moleculares dos tumores de origem. Os pesquisadores conseguiram converter com sucesso cerca de um terço das amostras de pacientes que receberam.
Segundo o Dr. Jesse Boehm, pesquisador do Instituto Koch e um dos autores sênior do estudo, a utilização de sistemas experimentais em laboratório pode validar novos alvos terapêuticos e iniciar projetos de desenvolvimento de novos medicamentos.
O projeto teve a participação de mais de duas dezenas de instituições e foi publicado na revista científica Nature. O Dr. Mauro Antônio Alves Castro, professor e pesquisador do Laboratório de Bioinformática e Biologia de Sistemas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), fez parte da equipe envolvida no estudo.
O portal central para acesso aos modelos é a página do Human Cancer Models Initiative (HCMI) do Centro para Genômica do Câncer do instituto Nacional de Câncer dos EUA.
Todos os modelos desenvolvidos como parte da HCMI foram depositados na American Type Culture Collection (ATCC), uma distribuidora de linhagens celulares sem fins lucrativos.
Cada modelo também conta com dados extensos sobre o paciente cujas células foram utilizadas para iniciar a linhagem celular, incluindo mutações herdadas dos pais (mutações germinativas) e informações sobre os tratamentos contra o câncer recebidos.
Com esses modelos, os cientistas poderão realizar triagens em grande escala, o que pode auxiliar nos esforços de desenvolvimento de novos medicamentos.
Agora, os pesquisadores esperam continuar desenvolvendo modelos derivados de amostras adicionais de tumores de pacientes, incluindo mais casos de cânceres pediátricos e raros.
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Acesse os modelos na página do Human Cancer Models Initiative (HCMI) (em inglês).
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