Com publicação científica
Micróbios contra a poluição
Vírus também podem ajudar a combater a poluição
Estudo mostrou que a bioaumentação pode ser uma alternativa contra a poluição em ecossistemas naturais

Tatevosian Yana via Shutterstock
Amostras de solo sendo colhidas em campo para análise
Por Redação SciAdvances
7 de julho de 2026, 13:39
Fonte
Áreas
Bacteriologia, Biologia, Ecologia, Engenharia Biológica, Microbiologia, Recursos Hídricos, Saúde Ambiental, Solo, Sustentabilidade, Virologia
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Micróbios contra a poluição
A poluição dos ecossistemas naturais é uma preocupação global: cada vez mais, contaminantes ameaçam a saúde humana, a produtividade agrícola e o equilíbrio ecológico.
Poluentes como arsênio, cromo, pesticidas e hidrocarbonetos de petróleo degradam o solo e as águas subterrâneas, ameaçando a qualidade dos recursos alimentares e hídricos para consumo humano.
Neste cenário, a proteção dos microbiomas do solo é fundamental para a resiliência dos ecossistemas, o meio ambiente e a saúde pública.
Na luta contra a poluição, a biotecnologia ambiental tem um papel relevante: através de processos de biorremediação, microrganismos são usados para ajudar a degradar poluentes ambientais, gerando a partir desse processo substâncias inofensivas ao meio ambiente.
Nas aplicações de biorremediação, a bioaumentação é uma estratégia que lança mão de cepas microbianas altamente especializadas para melhorar e acelerar a descontaminação ambiental.
Mas as estratégias tradicionais de bioaumentação, mesmo sendo econômicas e sustentáveis, ainda enfrentam desafios como as baixas taxas de degradação e as restrições ambientais à eficácia microbiana. Estes desafios têm impulsionado avanços importantes nas pesquisas nos últimos anos.
Avanço: bioaumentação com fagos pode ser alternativa para melhorar a biorremediação
Recentemente, um estudo de revisão liderado por pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, descobriu que certos vírus podem ser aliados de bactérias na luta contra a poluição.
A bioaumentação com bacteriófagos lisogênicos – vírus que infectam bactérias e se integram ao genoma do hospedeiro sem matá-las imediatamente – utiliza genes de degradação de poluentes para reforçar as capacidades genéticas das bactérias para a biorremediação.
Importantes para a biotecnologia ambiental, os resultados do estudo sugerem que esse processo de bioaumentação pode aproveitar as funções ecológicas dos bacteriófagos lisogênicos para aprimorar a função microbiana em solos poluídos.
Niki Romeo, doutoranda da Universidade Flinders e primeira autora do estudo, explicou que os microrganismos podem levar anos para decompor toxinas e poluentes, e que os bacteriófagos lisogênicos são capazes de integrar genes metabólicos auxiliares em bactérias hospedeiras para melhorar a degradação.
O estudo foi publicado na revista científica Communications Biology.
Mais pesquisas são necessárias para avaliar a segurança ecológica e os impactos da bioaumentação
De qualquer modo, os pesquisadores alertam sobre a necessidade de avaliar a segurança ecológica, a estabilidade genética e os impactos a longo prazo da liberação de bacteriófagos geneticamente modificados em ambientes naturais.
A doutoranda Niki Romeo destacou que protocolos de biossegurança e avaliações de risco ambiental precisam ser desenvolvidos para garantir que não ocorram efeitos colaterais indesejados antes da implementação em larga escala.
Enquanto isso, o método de bioaumentação deve motivar pesquisas mais aprofundadas para validar o fago candidato mais eficaz e para desenvolver ferramentas para monitorar a integração do fago e a expressão dos genes metabólicos auxiliares.
O Dr. Martin Breed, professor da Universidade Flinders e um dos orientadores do doutorado de Niki Romeo, afirmou que a remediação do solo e a restauração de ecossistemas são elementos cruciais para a melhoria das condições de vida dos seres humanos e de outras formas de vida na Terra.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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