Com publicação científica

Volodymyr Tverdokhlib via Shutterstock
Vaca leiteira pastando
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
Quando se pensa no impacto climático da produção de leite, geralmente o foco recai sobre as emissões de metano provenientes do manejo das vacas.
A pegada de carbono da produção de leite geralmente é calculada pela Avaliação de Ciclo de Vida, um método que calcula o impacto ambiental examinando cada etapa da produção, desde o cultivo da ração para o gado até o manejo do esterco. Por fim, o método indica o total de Gases de Efeito Estufa emitidos por kg de leite.
O cálculo em geral considera, além das emissões de metano, o manejo de dejetos, a produção de alimentos, a energia e os insumos, geralmente seguindo a norma ISO 14067.
Neste cenário, as alterações no carbono armazenado na matéria orgânica do solo raramente são consideradas nas avaliações da pegada de carbono em nível do espaço ocupado pela agropecuária.
Um novo estudo da Universidade de Helsinque e do Instituto Meteorológico da Finlândia mostrou que as alterações no estoque de carbono orgânico do solo podem desempenhar um papel fundamental na pegada de carbono da produção de leite.
O estudo examinou como as alterações no estoque de carbono orgânico do solo afetam a pegada de carbono total da produção de leite na fazenda experimental da Universidade de Helsinque, em campos de rotação de pastagens e cultura de cereais.
Considerando a Avaliação de Ciclo de Vida, os pesquisadores compararam três maneiras distintas de calcular as alterações no carbono do solo e descobriram que cada uma produzia resultados muito diferentes. O método mais simples, o padrão do IPCC Nível 1, claramente subestimou as emissões em comparação com medições de campo mais detalhadas e modelos de carbono.
A Dra. Yajie Gao, pesquisadora de pós-doutorado da Faculdade de Agricultura e Silvicultura da Universidade de Helsinque, explicou que as pastagens utilizadas como alimento para o gado podem sequestrar carbono no solo ou liberá-lo na atmosfera. A biomassa subterrânea da grama é uma importante fonte de carbono para promover o sequestro de carbono no solo. É por isso que o balanço de carbono de um campo faz parte da pegada de carbono do leite, embora geralmente seja deixado de fora dos cálculos.
O estudo foi publicado na revista científica The International Journal of Life Cycle Assessment.
Mesmo nas pastagens sem cultura, a quantidade de carbono liberada do solo para a atmosfera foi significativa. No entanto, quando a pastagem foi convertida em plantações de cereais, a perda aumentou quase cinco vezes. Quando as emissões do solo foram incluídas nos dados totais da produção de leite, a pegada de carbono ficou 41% maior do que nas avaliações que ignoravam as alterações no carbono do solo.
A Dra. Yajie Gao ainda destacou que o solo é um banco de carbono vivo e, sem levá-lo em consideração, não é possível fazer uma avaliação honesta do impacto climático da produção de alimentos.
A Dra. Marja Roitto, coordenadora de pesquisa da Faculdade de Agricultura e Silvicultura da Universidade de Helsinque e coautora do estudo, disse que uma abordagem multidisciplinar que combine ciência do solo, medições atmosféricas e avaliações ambientais é essencial para uma avaliação honesta dos impactos do sistema alimentar.
A coordenadora de pesquisa ainda destacou que quando o verdadeiro ‘custo de carbono’ do solo é conhecido, soluções específicas de redução de emissões para cada local podem ser desenvolvidas.
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Publicidade



