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Gado em pastagem
Por Redação SciAdvances
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O metano é um potente gás de efeito estufa e um dos responsáveis pelo aquecimento global. O desafio de reduzir suas emissões faz parte das principais agendas climáticas.
Segundo dados do Observatório do Clima, no ano de 2023 as emissões de gás metano no Brasil ultrapassaram 20 milhões de toneladas, boa parte gerado no processo digestivo do gado bovino, que então libera o gás para a atmosfera.
O gado criado em confinamento pode ser mais controlado, mas sistemas de pastoreio, onde os animais pastam livremente e a ingestão de alimentos é menos controlada, continua sendo um desafio significativo em termos de redução de emissões de metano.
Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Animal Science investigou o uso do óleo de extrato de bromofórmio, derivado da alga vermelha Asparagopsis, em vacas Angus gestantes e lactantes.
A Dra. Mariana Caetano, professora da Escola de Ciências Animais e Veterinárias da Universidade Adelaide, na Austrália, e pesquisadora sênior do estudo, afirmou que os resultados mostraram um grande potencial para a redução das emissões em condições reais de produção agrícola. A Dra. Mariana Caetano é zootecnista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com mestrado e doutorado em Ciência Animal e Pastagens pela Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP).
Realizado ao longo de 8 semanas, o estudo envolveu 80 vacas Angus, manejadas em pastagem. A professora Mariana Caetano destacou que, ao longo do tempo do estudo, as emissões de metano foram reduzidas entre 49% e 77% nas vacas que receberam o suplemento, uma redução considerada substancial.
As vacas mantiveram o peso corporal estável durante todo o experimento, apesar de consumirem um pouco menos de ração com o suplemento de bromofórmio.
Por outro lado, os pesquisadores identificaram alterações na bioquímica sanguínea das vacas suplementadas, que levou a um aumento nos níveis de pH alcalino em alguns animais.
Segundo a Dra. Mariana Caetano, apesar dessas alterações estarem dentro de limites aceitáveis, podem apontar a necessidade de mais pesquisas para otimizar a dosagem e compreender melhor os impactos em longo prazo na saúde e produtividade animal.
Em relação à prole, a pesquisa não encontrou efeitos negativos no crescimento ou desenvolvimento dos bezerros. Os bezerros nascidos de vacas suplementadas apresentaram ganho de peso normal até os 150 dias de idade, indicando que não houve impactos provenientes da suplementação materna.
Estudos anteriores envolvendo bromofórmio concentraram-se principalmente em sistemas de confinamento ou intensivos, onde a dieta pode ser rigorosamente controlada. Esta pesquisa está entre as primeiras a demonstrar reduções significativas de metano em vacas manejadas em pastagens.
A professora Mariana Caetano ressaltou que ainda faltam mais estudos para garantir que, na prática, a abordagem seja segura e economicamente viável para os produtores. Se isso acontecer, pode ser um grande passo para que a indústria pecuária possa reduzir seu impacto ambiental.
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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