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Por Redação SciAdvances
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Os episódios de delirium em idosos hospitalizados, caracterizados por um estado de confusão mental aguda e temporária, podem ocorrer devido a uma infecção, cirurgia, dor intensa, desidratação ou mesmo medicação.
A prevalência do delirium em idosos hospitalizados é alta, variando geralmente entre 15% e 50%, mas pode ultrapassar 80% em pacientes internados em UTI.
De qualquer modo, pouco se sabe sobre as implicações do delirium hospitalar em longo prazo.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, apontou que até mesmo um único episódio de delirium em idosos hospitalizados é um fator de risco significativo para outras complicações graves de saúde, incluindo fraturas, acidente vascular cerebral e sepse.
Os pesquisadores analisaram dados de quase 30.000 pacientes do UK Biobank e registros hospitalares ao longo de um período de até 26 anos para avaliar as consequências clínicas em longo prazo do delirium hospitalar.
O Dr. David Ward, pesquisador do Centro de Pesquisa em Serviços de Saúde da Universidade de Queensland, explicou que a pesquisa ajudou a descobrir que o delirium estava associado a um risco maior de 12 desfechos adversos, independentemente da fragilidade e de demência preexistente, o que demonstra que ele é um sinal de alerta para vulnerabilidade em longo prazo.
Segundo o Dr. David Ward, mesmo um [único] episódio de delirium no hospital aumentou significativamente o risco de quedas e incontinência urinária, pneumonia, incontinência fecal, fraturas, acidente vascular cerebral, fratura de quadril, sepse, lesão renal aguda, lesão por pressão, sangramento gastrointestinal e insuficiência cardíaca.
O pesquisador destacou que essas associações fortes do delirium com vários tipos de intercorrências são um sinal de alerta para vulnerabilidade multissistêmica.
O Dr. Markus Haapanen, pesquisador da Universidade de Helsinque e autor principal do estudo, disse que os episódios de delirium são frequentemente considerados uma complicação passageira, mas o estudo mostrou um risco persistentemente elevado de desfechos adversos à saúde, mesmo após a resolução do episódio.
Segundo o Dr. Markus Haapanen, os resultados do estudo sugerem a necessidade de estender o tratamento e o cuidado ao paciente e realizar um acompanhamento estruturado após a alta, para melhorar os resultados para além da hospitalização.
Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Healthy Longevity.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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