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Por Redação SciAdvances
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Os insulinomas são tumores raros do pâncreas, geralmente benignos, que causam um aumento na secreção de insulina. O excesso do hormônio potencializa a ocorrência de hipoglicemia, quando a concentração de glicose no sangue cai abaixo de limite mínimo desejável.
Mesmo pequenos insulinomas costumam ser perigosos, já que a ocorrência de hipoglicemia pode causar sintomas graves e pode até ser fatal. Na maioria dos casos, o tratamento é cirúrgico.
De qualquer modo, um fator limitante para o desenvolvimento de melhor diagnóstico e tratamento é a compreensão limitada do mecanismo molecular que está por trás da secreção anormal de insulina.
Um estudo liderado por cientistas do Instituto de Ciência de Tóquio, no Japão, alcançou um avanço significativo no conhecimento da biologia dos insulinomas.
Os pesquisadores formaram um biobanco de amostras cirúrgicas de insulinoma e cultivaram organoides produzidos a partir de tecidos de pacientes, para então realizar análises de expressão gênica em larga escala, incluindo sequenciamento de RNA em massa, sequenciamento de RNA de célula única, PCR quantitativo e imuno-histoquímica.
Com essas técnicas, eles puderam observar que os insulinomas não estavam propriamente produzindo mais insulina, mas liberando o hormônio de forma inadequada.
As análises mostraram forte expressão do gene DOCK10 especificamente em células tumorais secretoras de insulina, e não em tecido pancreático normal ou outros tipos de tumores pancreáticos.
Experimentos adicionais revelaram que o gene DOCK10 é um fator chave na secreção anormal de insulina em insulinomas, ativando uma via de sinalização que envolve uma proteína específica que ajuda a regular a liberação da insulina para fora da célula.
Quando essa via de sinalização foi bloqueada, a hipersecreção de insulina diminuiu em células de insulinoma, em organoides de insulinoma humano e em modelos tumorais transplantados em camundongos, que apresentaram maior sobrevida.
O Dr. Go Ito, professor do Departamento de Gastroenterologia e Hepatologia do Instituto de Ciência de Tóquio e um dos líderes da pesquisa, destacou que os resultados sugerem que o gene DOCK10 pode servir como um marcador diagnóstico para lesões secretoras de insulina e um potencial alvo terapêutico em casos de insulinoma.
O estudo foi publicado recentemente na revista científica Cellular and Molecular Gastroenterology and Hepatology.
Além dos avanços na compreensão do mecanismo que regula a secreção da insulina no insulinoma, os cientistas também desenvolveram um sistema de cultura de longo prazo para organoides de insulinoma humano.
Segundo o professor Go Ito, as descobertas sugerem que o novo sistema de cultura desenvolvido retém com sucesso as principais propriedades funcionais dos tumores originais, o que pode ajudar na modelagem de doenças e testes terapêuticos.
De acordo com os pesquisadores, os resultados do estudo podem ser importantes para o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico mais precisas e tratamentos direcionados para insulinomas.
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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