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Problemas nos músculos da deglutição podem atrapalhar até o simples ato de beber água
Por Redação SciAdvances
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A deglutição – o processo fisiológico de transporte de alimentos sólidos, líquidos ou saliva desde a boca até o estômago – é um processo complexo e coordenado que envolve vários grupos musculares, englobando estruturas da boca, faringe, laringe e esôfago.
Estima-se que distúrbios da deglutição afetem cerca de 8% da população mundial, incluindo sobreviventes de acidente vascular cerebral (AVC) e pacientes tratados com radioterapia para câncer de cabeça e pescoço. As consequências podem variar de desnutrição e desidratação a pneumonia com risco de vida.
Embora células-tronco possam potencialmente reparar músculos da deglutição danificados, os cientistas têm enfrentado um grande desafio em garantir que as células sobrevivam após aplicação local.
Um novo biomaterial na forma de gel injetável, desenvolvido por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, e da Universidade de Quioto, no Japão, pode trazer avanços para tratamentos com células-tronco para distúrbios da deglutição.
Em um estudo pré-clínico, com resultados publicados na revista científica Biomaterials, uma nova abordagem melhorou a sobrevivência das células-tronco aplicadas à regeneração de músculos da deglutição em mais de cinco vezes em comparação com métodos tradicionais.
A Dra. Nicole Li-Jessen, professora da Universidade McGill e autora sênior do estudo, destacou que a nova abordagem minimamente invasiva poderá potencialmente ajudar a restaurar a função normal de deglutição para pacientes cujas opções atuais se limitam a exercícios de reabilitação ou cirurgia.
Inclusive, segundo a professora, o mesmo gel já passou por testes clínicos de Fase I e II no Japão como parte de uma vacina experimental contra o câncer.
Para evitar a morte das células-tronco pela falta de oxigênio causada pela densa aglomeração das células, os pesquisadores criaram uma tecnologia híbrida que junta, às células-tronco mesenquimais derivadas de tecido adiposo, fragmentos de nanogel-microfibra como espaçadores estruturais em esferoides. Esses fragmentos aumentam a viabilidade e a função celular das células-tronco.
Segundo o Dr. Hideaki Okuyama, pesquisador da Universidade de Quioto e primeiro autor do estudo, é o gel que permite a circulação de oxigênio e nutrientes no aglomerado de células-tronco, viabilizando sua sobrevivência.
Em laboratório, os aglomerados híbridos de células-tronco e gel conseguiram liberar níveis mais altos de substâncias reparadoras do tecido danificado. Em camundongos, uma única injeção aumentou a retenção de células-tronco e melhorou em 9% a atividade dos músculos da deglutição após três semanas.
Agora, os pesquisadores estão estudando a durabilidade do gel em logo prazo e explorando se a abordagem poderia ser adaptada para tratar outras condições, incluindo lesões nas cordas vocais, perda muscular relacionada à idade e distrofia muscular.
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