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Yakobchuk Viacheslav via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
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No câncer de mama, a biópsia é o único procedimento diagnóstico capaz de determinar se um nódulo ou área suspeita é cancerosa.
No entanto, nos EUA, entre 75% e 80% das biópsias de mama mostram lesões benignas. No Brasil, estima-se que entre 65% e 75% das biópsias também tenham resultados benignos.
Uma questão que os cientistas enfrentam hoje em dia é: seria possível evitar a realização dessas biópsias da mama em casos benignos, evitando assim a ansiedade das pacientes e também os custos para o sistema de saúde?
Para responder a esta questão, cientistas têm desenvolvido e testado outras tecnologias que poderiam identificar as lesões benignas antes mesmo da realização da biópsia da mama.
Pesquisadores da Universidade Washington em St. Louis e da Universidade Stanford, nos EUA, conduziram um estudo clínico duplo-cego utilizando tomografia óptica difusa guiada por ultrassom, com a finalidade de avaliar se a tecnologia poderia reduzir as taxas de biópsias mamárias benignas.
A tomografia óptica difusa é uma técnica de imagem não invasiva que utiliza luz na faixa do espectro infravermelho próximo para criar imagens 3D de tecidos.
A imagem pode mostrar diferenças funcionais entre o tecido normal e o tecido canceroso em relação ao contraste vascular sanguíneo e aos níveis de oxigênio. O desenvolvimento da técnica foi liderado pela Dra. Quing Zhu, professora de Engenharia Biomédica na Universidade Washington em St. Louis.
Os pesquisadores estudaram 226 pacientes com lesão mamária com probabilidade de malignidade e realizaram exames de tomografia óptica difusa guiada por ultrassom antes da biópsia guiada por ultrassom, que é o procedimento padrão.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Breast Cancer Research.
A tomografia óptica difusa guiada por ultrassom forneceu mapas de concentração total de hemoglobina e níveis de saturação de oxigênio no sangue para que os especialistas pudessem analisar a possibilidade de realizar a biópsia.
Os pesquisadores descobriram que a concentração total de hemoglobina em pacientes com tumor maligno foi significativamente maior do que em todas as lesões benignas. A saturação de oxigênio no sangue também foi significativamente menor em lesões malignas do que em lesões benignas.
Entre as 226 pacientes com lesão mamária, foram encontrados 70 carcinomas invasivos, 7 carcinomas ductais in situ, 9 lesões de alto risco e 140 lesões benignas.
A integração da concentração total de hemoglobina e da saturação de oxigênio no sangue, obtidas por tomografia óptica difusa guiada por ultrassom, com a avaliação de classificação dos radiologistas, reduziu o número de biópsias benignas desnecessárias em 24,54%.
Os pesquisadores concluíram que o uso da tomografia óptica difusa, quando combinada com a avaliação ultrassonográfica padrão, pode auxiliar significativamente na triagem de lesões mamárias de baixo risco, reduzindo as taxas de biópsias mamárias desnecessárias em quase 25%, com uma taxa de falsos negativos inferior a 2%.
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