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Por Redação SciAdvances
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Em ambientes de laboratório, a percepção que os bebês têm de rostos ao seu redor e a evolução de sua aprendizagem social têm sido amplamente estudadas. Por outro lado, os cientistas consideram importante que essas observações também sejam feitas no cotidiano real da criança.
Segundo os cientistas, a percepção de rostos desempenha um papel fundamental no desenvolvimento inicial dos bebês, moldando a atenção visual, a aprendizagem social e as interações com os cuidadores, o que contribui para diversos aspectos do seu desenvolvimento cognitivo e social.
Durante cada conquista na evolução inicial do desenvolvimento humano – como sentar, levantar e andar – os bebês observam de modos diferentes quem está ao seu redor. Compreender essas diferentes experiências visuais de bebês pode ajudar a melhorar a ciência do desenvolvimento humano, como também melhorar a compreensão sobre a vivência de crianças com deficiência.
Pesquisadores do Babylab do Centro de Ciências do Desenvolvimento Humano da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, utilizaram imagens de câmeras e detecção facial por inteligência artificial (IA) para investigar como os bebês observam rostos durante momentos lúdicos ao longo dos primeiros anos de desenvolvimento.
Os pesquisadores desenvolveram um tipo de capacete leve com uma câmera acoplada com a capacidade de capturar áudio e vídeo de alta qualidade com um amplo campo de visão vertical.
A equipe de pesquisa pediu a pais e cuidadores de 29 bebês e crianças pequenas, com idades entre 2 e 30 meses, que vestissem o capacete nos bebês e gravassem vídeos durante momentos lúdicos em casa.
Usando IA, os cientistas analisaram mais de 5,5 milhões de quadros de vídeo e puderam observar com que frequência os bebês viam rostos em diferentes idades, e também onde os rostos estavam localizados em seu campo visual – na parte inferior, central ou superior.
Os pesquisadores também mapearam as mudanças na forma como os bebês veem rostos à medida que desenvolvem suas habilidades motoras – como aprender a sentar, engatinhar ou andar – o que pode alterar a percepção que os bebês têm dos rostos de outras pessoas.
O estudo foi publicado na revista científica Developmental Science.
As descobertas sugerem que a forma e a frequência com que os bebês percebem os rostos durante as brincadeiras dependem da idade, podendo mudar à medida que adquirem a capacidade de sentar e andar de forma independente.
Os pesquisadores descobriram que, embora a disponibilidade e a posição dos rostos mudem com a idade, essa mudança não varia linearmente.
Durante a primeira infância, os rostos apareceram com mais frequência no centro do campo de visão do bebê; ao longo do primeiro ano, esse posicionamento central diminuiu bastante e, durante o segundo ano de vida do bebê, a presença de rostos na parte superior da cena visual aumentou e depois diminuiu, enquanto os rostos no centro apresentaram uma pequena recuperação.
Os bebês mais novos observaram rostos em tamanhos mais variados, refletindo interações próximas e conduzidas pelo cuidador; essa variabilidade diminuiu com a idade.
Mais tarde, quando começam a andar, os rostos geralmente apareceram mais acima, já que os cuidadores podiam ficar em pé. A diminuição da presença de rostos no segundo ano já pode refletir uma crescente independência.
A Dra. Hana D’Souza – pesquisadora da Universidade Cardiff e que conduziu a pesquisa com seu colega Dr. Teodor Nikolov – destacou que o estudo é um passo importante na continuidade do trabalho, que visa compreender como as crianças com deficiência vivenciam o mundo e como essas experiências moldam o seu desenvolvimento.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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Universidade de Nova Gales do Sul


