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Sedimentos marinhos podem dar pistas sobre o impacto futuro das mudanças climáticas
18 de janeiro de 2026, 13:44

Fonte

Universidade de Queensland Austrália

Publicação Original

Áreas

Ciência Ambiental, Geociências, Geografia, Modelagem Climática, Mudanças Climáticas, Oceanografia, Saúde Ambiental, Sustentabilidade

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Resumo

Uma equipe internacional de cientistas descobriu evidências de que as geleiras nos hemisférios Sul e Norte estavam sincronizadas durante a última era glacial.

A descoberta desafia as teorias predominantes e fornece informações cruciais para ajudar a modelar como as calotas polares atuais responderão às mudanças climáticas.

Os pesquisadores construíram o primeiro registro completo das flutuações glaciais nos Alpes do Sul da Nova Zelândia, analisando um núcleo de sedimento marinho.

A Dra. Helen Bostock, professora da Escola de Meio Ambiente da Universidade de Queensland, disse que, ao comparar a evolução das geleiras da Nova Zelândia com a de suas contrapartes europeias e norte-americanas, constatou-se que elas recuaram simultaneamente.

“Nosso trabalho mostrou que um período de aquecimento global, provavelmente causado por um aumento no desequilíbrio energético global, precedeu os recuos glaciais em ambos os hemisférios ao mesmo tempo. A descoberta desafia as teorias anteriores de uma ‘gangorra bipolar’ inter-hemisférica “, disse a professora Helen Bostock.

Até então, acreditava-se que os hemisférios Norte e Sul haviam sofrido mudanças opostas durante o Estádio de Heinrich, um período em que um grande influxo de água de degelo no Atlântico Norte diminuiu a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), o que causou o acúmulo de calor nos oceanos do Hemisfério Sul, intensificando o recuo glacial na Nova Zelândia.

“Os testemunhos de sedimentos marinhos fornecem uma cápsula do tempo, um histórico contínuo e bem datado da expansão e do recuo glacial, ao contrário da datação de blocos rochosos”, explicou a professora.

“O registro dos sedimentos glaciais também pode ser comparado diretamente com as mudanças passadas nas temperaturas oceânicas registradas por microfósseis preservados nos sedimentos. O registro mostra uma forte conexão entre o aquecimento dos oceanos e o recuo glacial”, continuou a pesquisadora.

O Dr. Samuel Toucanne, autor principal e pesquisador do Instituto Francês de Ciência Oceânica (Ifremer), afirmou que o estudo demonstrou a natureza complexa, sensível e interconectada do sistema climático da Terra: “Uma melhor compreensão desses mecanismos climáticos do passado é essencial para aprimorar os modelos de previsão atuais e antecipar o impacto das mudanças climáticas globais ligadas às atividades humanas”.

Participaram do estudo – publicado na revista científica Nature Geoscience – pesquisadores da Universidade de Queensland e da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), na Austrália; do Ifremer e do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), na França; do Instituto Nacional de Pesquisa da Água e da Atmosfera (NIWA), na Nova Zelândia e do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha.

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Autores/Pesquisadores Citados

Professora da Escola de Meio Ambiente da Universidade de Queensland
Pesquisador do Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar (Ifremer)

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