
Instituto de Estruturas Leves e Projeto de Construção (ILEK) da Universidade de Stuttgart
Corpo de prova desenvolvido com o novo bioconcreto
Fonte
Lena Jauernig, Universidade de Stuttgart
Publicação Original
Áreas
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Resumo
Usando um processo de biomineralização que inclui o uso de urina humana, pesquisadores conseguiram desenvolver um novo bioconcreto sustentável que poderia substituir o concreto convencional em algumas aplicações.
Os corpos de prova produzidos com o novo material conseguiram atingir até 60 MPa de resistência à compressão, um resultado superior aos publicados anteriormente para outros materiais biomineralizados.
O projeto também se preocupa com a integração do bioconcreto em uma cadeia de valor circular, demonstrando como a urina pode ser coletada de efluentes e processada para uso como matéria-prima na produção do bioconcreto.
A produção de cimento é um dos processos industriais com maior intensidade de emissões. Por isso, cientistas da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, estão pesquisando um novo material de construção mineral sustentável: o bioconcreto, produzido por meio de biomineralização.
No processo de biomineralização, organismos vivos produzem material inorgânico através de reações químicas. O material pode ser produzido inteiramente a partir de resíduos, de forma neutra em carbono.
O processo de biomineralização desenvolvido pela equipe de Stuttgart possui um diferencial importante: ele se baseia na urina humana – uma matéria-prima abundante, mas que tem sido negligenciada até agora.
A equipe do projeto produziu corpos de prova (pequenas peças para testes) que atingem resistências à compressão superiores a 60 MPa – significativamente maiores do que em todos os estudos publicados anteriormente sobre biomineralização. Isso significa que até mesmo a urina pode ser usada para produzir blocos de construção de alta resistência.
Segundo o Dr. Lucio Blandini, professor e chefe do Instituto de Estruturas Leves e Projeto de Construção (ILEK) da Universidade de Stuttgart, o objetivo da pesquisa não é substituir completamente o concreto convencional: “Enxergamos o material de construção mais como um complemento inteligente para aplicações específicas”. Isto porque o processo de biomineralização requer grandes quantidades de urina, aproximadamente 26.000 litros por metro cúbico de bioconcreto.
As amostras produzidas até o momento mostram propriedades promissoras para determinadas áreas de aplicação na construção civil
No processo de biomineralização, os pesquisadores adicionam um pó contendo bactérias à areia como material base, despejam a mistura em um molde e, em seguida, a preenchem com urina enriquecida com cálcio durante um período de três dias.
As bactérias fazem com que a ureia contida na urina seja convertida em carbonato. O cálcio faz com que cristais de carbonato de cálcio (cal) cresçam. A mistura de areia se solidifica em bioconcreto, um material sólido quimicamente semelhante ao tijolo natural de areia e cal. Dependendo da fôrma, os elementos podem ser produzidos em diferentes formatos e tamanhos, atualmente com uma profundidade de até 15 centímetros.
A pesquisa em biomineralização faz parte do projeto SimBioZe, que reúne a expertise de três institutos da Universidade de Stuttgart: o Instituto de Estruturas Leves e Projeto de Construção (ILEK), o Instituto de Microbiologia (IMB) e o Instituto de Engenharia Sanitária, Qualidade da Água e Gestão de Resíduos Sólidos (ISWA). O Centro de Agricultura Orgânica da Universidade de Hohenheim também participa.
Além da biomineralização, o projeto também se concentra na integração do bioconcreto em uma cadeia de valor circular: o projeto demonstra como a urina pode ser coletada de efluentes e processada para uso como matéria-prima na produção do bioconcreto.
Ao mesmo tempo, a equipe também investiga como matérias-primas secundárias podem ser recuperadas no processo, por exemplo, para a produção de fertilizantes.
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Mais Informações
Acesse a página do projeto SimBioZe (em inglês).
Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Stuttgart (em inglês).
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