
Svitlana Hulko via Shutterstock
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Universidade de Bristol
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Resumo
Usando randomização mendeliana, pesquisadores usaram dados de mais de 700.000 gestantes para analisar a relação causal entre a pressão arterial materna e 24 desfechos adversos da gravidez.
No estudo, os pesquisadores puderam confirmar que a pressão arterial materna elevada aumenta o risco de diversas complicações maternas e fetais durante a gravidez.
Os pesquisadores destacaram que as descobertas do estudo devem orientar políticas direcionadas à melhoria da saúde materno-infantil, apesar de mais estudos serem necessários para avaliar populações diversas.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Diversos estudos demonstraram que mulheres com pressão arterial elevada durante a gravidez, incluindo aquelas que desenvolvem hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, e seus bebês podem apresentar maior risco de problemas de saúde no período perinatal.
No entanto, esses estudos foram predominantemente observacionais e não foram concebidos para distinguir correlação de causalidade. Se não forem devidamente considerados, fatores que influenciam tanto a pressão arterial quanto os desfechos da gravidez, como posição socioeconômica e peso corporal, podem enviesar essas análises, resultando em conclusões enganosas.
Embora tenham sido realizados estudos clínicos sobre os efeitos da redução da pressão arterial na gravidez, eles geralmente foram pequenos demais para revelar efeitos claros sobre certas complicações para as mães ou seus bebês.
Estudo
Recentemente, pesquisadores da Unidade de Epidemiologia Integrativa do MRC (Conselho de Pesquisa Médica) da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e do Instituto Norueguês de Saúde Pública, na Noruega, avaliaram a relação entre a pressão arterial materna e 24 desfechos adversos da gravidez, analisando os dados do estudo com o método de randomização mendeliana.
A randomização mendeliana é um método de inferência causal que utiliza dados genéticos para avaliar o efeito causal de um fator de risco (por exemplo, pressão arterial) sobre um desfecho de interesse, sendo menos suscetível aos vieses que tipicamente afetam os estudos observacionais convencionais.
A técnica já foi utilizada para avaliar os efeitos da pressão arterial materna sobre o peso ao nascer e a duração da gestação. Contudo, os resultados desses estudos têm sido inconsistentes e muitos outros desfechos relevantes não foram explorados, o que destacou a necessidade de mais pesquisas.
O estudo foi publicado na revista científica BMC Medicine.
Com o aumento da obesidade e da idade materna avançada, o número de mulheres em idade reprodutiva com pressão alta também está crescendo. A hipertensão é um problema médico comum na gravidez, afetando aproximadamente 1 em cada 10 gestantes
Resultados
Analisando dados de mais de 700.000 gestantes, a equipe de pesquisa descobriu que a pressão arterial materna elevada aumenta o risco de diversas complicações maternas e fetais durante a gravidez.
Por exemplo, um aumento de 1 cmHg na pressão arterial sistólica (por exemplo, de 13 para 14) elevou o risco de necessidade de indução do parto em 11% e o de parto prematuro em 12%.
A Dra. Deborah Lawlor, professora de Epidemiologia da Universidade de Bristol e uma das autoras do estudo, explicou: “Nosso estudo abordou as principais limitações dos estudos observacionais convencionais existentes, que são afetados por fatores de confusão, e dos estudos clínicos, que geralmente são pequenos e com poder estatístico insuficiente. Comparamos nossos resultados com os de outros métodos que se baseiam em diferentes pressupostos. Quando esses outros métodos confirmaram nossos principais resultados, aumentou nossa confiança de que o que descobrimos provavelmente era causal”.
“Ao utilizar informações genéticas para isolar melhor a relação de causa e efeito, nosso estudo ajuda a esclarecer se a pressão arterial materna em si contribui para complicações na gravidez e no recém-nascido. Isso é importante para a prática clínica e para a saúde pública, pois fortalece a base de evidências necessária para orientar estratégias de prevenção, monitoramento e tratamento com o objetivo de melhorar os resultados maternos e infantis”, disse a Dra. Maria Carolina Borges, professora de Epidemiologia Etiológica na Universidade de Bristol e uma das autoras seniores do estudo. A professora Maria Carolina Borges é doutora em epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Brasil.
Os cientistas sugerem que as descobertas do estudo devem orientar políticas direcionadas à melhoria da saúde materno-infantil. Por outro lado, enfatizaram que são necessárias mais pesquisas em populações não europeias e que estudos clínicos são cruciais para determinar o momento ideal, os tipos de medicamentos e as doses necessárias para prevenir complicações na gravidez relacionadas à pressão arterial materna elevada.
Nossos resultados sugerem que a pressão arterial materna elevada aumenta o risco de múltiplos desfechos adversos na gravidez, incluindo parto prematuro, nascimento de bebês menores do que o esperado, necessidade de indução do parto, diabetes gestacional e internação do bebê em uma unidade de terapia intensiva neonatal
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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