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Biossensores podem ajudar pessoas com doenças crônicas em todo o mundo a viverem melhor. No entanto, a precisão de suas medições costuma ser relativamente baixa, o que limita as aplicações possíveis.
Os biossensores são usados, por exemplo, no automonitoramento da glicemia, de forma rápida e sem a necessidade de recorrer a um laboratório. Os biossensores também são usados em outras áreas, mas muitas aplicações promissoras exigem maior precisão. Por exemplo, a medição dos níveis de creatinina, um importante indicador da função renal, tem sido imprecisa até o momento. Como resultado, boa parte do potencial dos biossensores permanece inexplorado.
Recentemente, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique (TUM), na Alemanha, descobriram uma maneira de aumentar a precisão dos biossensores de oxidase, abrindo caminho para novas aplicações.
No novo estudo, os pesquisadores conseguiram melhorar a precisão de biossensores de oxidase para glicose, lactato e creatinina de aproximadamente 50% para 99%, sem a necessidade de calibração prévia.
O lactato, por exemplo, é medido no monitoramento de pacientes em estado crítico. De acordo com a equipe, essa inovação abre campos de aplicação completamente novos. As descobertas foram publicadas na revista Science Advances.
O problema da falta de precisão dos sensores de oxidase atuais decorre de seu funcionamento: eles usam as enzimas (oxidases) para catalisar a transferência de elétrons de um substrato para o oxigênio molecular. Os elétrons são então transferidos para eletrodos integrados ao sensor, gerando uma corrente elétrica. Quanto maior a concentração de uma substância, maior a corrente elétrica. O problema é que as oxidases não transferem elétrons apenas para o eletrodo — elas também os transferem para o oxigênio no ambiente. Esses elétrons ‘perdidos’ não contribuem para a corrente, enfraquecendo o sinal e fazendo com que a concentração medida pareça menor do que realmente é.
Para resolver isso, os pesquisadores desenvolveram um ‘removedor de oxigênio’: uma enzima álcool oxidase que consome o excesso de oxigênio e o converte em água. Fundamentalmente, essa enzima não reage com as substâncias-alvo reais — glicose, creatinina ou lactato e, após essa ‘limpeza’, resta apenas uma quantidade mínima de oxigênio, permitindo que a oxidase primária transfira praticamente todos os seus elétrons para o sensor.
“Na medicina personalizada, esses biossensores poderiam ajudar a calibrar dispositivos vestíveis, fornecendo dados de saúde mais confiáveis, detectando problemas precocemente e auxiliando na dosagem precisa de medicamentos. Há também potencial na área da saúde impulsionada por Inteligência Artificial (IA), que depende de grandes conjuntos de dados que biossensores aprimorados poderiam ajudar a gerar”, destacou o Dr. Nicolas Plumeré, professor de Eletrobiotecnologia da TUM.
O pesquisador também enxerga oportunidades além da área da Saúde e já está trabalhando em aplicações práticas: sua equipe desenvolveu um teste baseado no mesmo princípio para medir o teor de nitrogênio em plantas de trigo. Isso permitiria ajustes na fertilização no local, evitando a fertilização excessiva. Para os agricultores, isso significa custos mais baixos e menor impacto ambiental.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Science Advances (em inglês).
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Acesse a notícia original completa na página da Universidade Técnica de Munique (em inglês).
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