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19 de setembro de 2025, 11:35
Fonte
Cláudia Azevedo e Olga Magalhães, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Publicação Original
Áreas
Bioquímica, Cardiologia, Entrega de Medicamentos, Epidemiologia, Estudo Clínico, Farmacologia, Medicina, Toxicologia
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Resumo
Em Portugal, um estudo clínico de fase II prospectivo, randomizado, aberto, cruzado e com desfechos cegos, incluiu 108 doentes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida e com fração de ejeção preservada, com o objetivo de comparar os resultados de duas estratégias terapêuticas diferentes em termos de eficácia e segurança.
Os pesquisadores compararam a administração de dapagliflozina isoladamente com a administração da dapagliflozina combinada com espironolactona.
Os resultados mostraram que a combinação dos dois medicamentos ao longo de 12 semanas pode contribuir para maior redução do biomarcador de stress cardíaco NT-proBNP.
Em termos de segurança, com a administração dos dois medicamentos, deve ser feita a monitorização de potássio (cujo aumento pode provocar arritmias) e da função renal.
Foco do Estudo
Comparar a terapia com dapagliflozina isoladamente com a terapia que combina dapagliflozina e espironolactona, em termos de eficácia e segurança, em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida e com fração de ejeção preservada.
Por que é importante?
A insuficiência cardíaca afeta dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo e é um dos principais motivos de hospitalização e óbito, tanto globalmente quanto no Brasil.
O envelhecimento populacional e a maior sobrevida a outras doenças cardiovasculares têm contribuído para aumentar a prevalência da doença, principalmente em países de baixa e média renda.
A insuficiência cardíaca costuma afetar principalmente pessoas acima dos 65 anos e com comorbidades, como hipertensão, diabetes e insuficiência renal. Os principais sintomas são falta de ar, cansaço excessivo e inchaço dos membros inferiores.
Estudo
Um novo ensaio clínico de fase II, liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), demonstrou que combinar duas terapêuticas pode melhorar o prognóstico de pacientes com insuficiência cardíaca, em comparação com as terapêuticas separadas, como é comum atualmente.
O estudo comparou a eficácia e a segurança da combinação de inibidor do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2) (a dapagliflozina) com antagonista de receptores mineralocorticoides (espironolactona) versus a dapagliflozina isoladamente, em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida e com fração de ejeção preservada.
O estudo clínico prospectivo, randomizado, aberto, cruzado e com desfechos cegos, incluiu 108 doentes seguidos em dois hospitais de Portugal. Publicado na revista científica Journal of American College of Cardiology, o estudo poderá ter consequências no tratamento da patologia e em diretrizes internacionais, podendo levar ao desenvolvimento de uma nova terapêutica que combine as duas substâncias e que seja mais eficaz contra a mortalidade e hospitalizações.
De acordo com o Dr. João Pedro Ferreira, professor da FMUP, coordenador e primeiro autor do estudo, os dois medicamentos são atualmente recomendados para o tratamento da insuficiência cardíaca, mas nenhum estudo tinha ainda analisado a combinação dos dois para saber se o efeito combinado é melhor ou não.
Esta poderá ser uma nova fase no tratamento e na prevenção da insuficiência cardíaca
Resultados
Os resultados do estudo clínico mostraram que a combinação dos dois medicamentos ao longo de 12 semanas pode ter “um potencial efeito aditivo benéfico”, conseguindo maior redução do biomarcador de stress cardíaco NT-proBNP, uma proteína medida em amostras de sangue.
“Este marcador de pressão cardíaca é robusto e validado na prática clínica para prognóstico da doença. Quanto mais baixo, melhor. Quando sobe, significa que o coração dos doentes está a esforçar-se mais para bombear o sangue para o corpo”, explicou o Dr. João Pedro Ferreira.
Além da eficácia, o estudo avaliou a segurança da combinação, tendo concluído que deve ser feita a monitorização de potássio (o aumento pode provocar complicações, como arritmias) e da função renal.
Agora, os pesquisadores pretendem avaliar o efeito da combinação em outros marcadores moleculares com amostras de sangue dos mesmos pacientes, bem como em imagens de ecocardiogramas. O estudo deve ser prolongado até 2027.
Em nível internacional, o estudo permitirá a realização de estudos clínicos de fase III, em larga escala, para testar o impacto da combinação em aspectos como a sobrevivência e a qualidade de vida dos pacientes.
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Acesse a revista científica Journal of American College of Cardiology (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade do Porto.
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