
NIAD/NIH e CDC
Enterovírus D68
Fonte
Alyssa Sunkin-Strube, Escola de Medicina da Universidade Cornell
Publicação Original
Áreas
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Resumo
Em meio ao final da pandemia de COVID-19 entre 2022 e 2023, pesquisadores acompanharam 174 crianças menores de 10 anos em um estudo prospectivo, multicêntrico, longitudinal e de vigilância imunoepidemiológica para melhorar o conhecimento sobre a dinâmica do ressurgimento de vírus respiratórios em crianças.
Os resultados mostraram que a maioria das crianças não tinha imunidade a muitos vírus respiratórios normais durante a pandemia.
Os dados permitiram que os especialistas recriassem padrões de circulação anteriores e modelassem previsões para surtos futuros com maior precisão.
A continuação do estudo, que já avaliou até o momento cerca de 1.000 crianças, pode facilitar o desenvolvimento de novos tratamentos com anticorpos e vacinas mais eficazes.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Métodos de prevenção da COVID-19, como o uso de máscaras e o distanciamento social, também suprimiram a circulação de doenças respiratórias comuns.
Este cenário pode ter deixando crianças pequenas sem imunidade a patógenos aos quais, de outra forma, teriam sido expostas.
Neste caso, a vigilância imunoepidemiológica é fundamental.
Estudo
Um estudo prospectivo, multicêntrico, longitudinal e de vigilância imunoepidemiológica acompanhou 174 crianças menores de 10 anos entre 2022 e 2023 para melhorar o conhecimento sobre a dinâmica do ressurgimento de vírus respiratórios em crianças após a pandemia de COVID-19.
O estudo – chamado PREMISE (Repositório de Resposta à Pandemia por meio da Vigilância Microbiana e Imunológica e Epidemiologia) – foi conduzido em quatro centros médicos acadêmicos dos EUA: Escola de Medicina da Universidade Cornell; Campus Médico e Hospital Infantil da Universidade do Colorado Anschutz; Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e Universidade do Alabama em Birmingham.
Por meio de repetidas coletas de sangue e amostras respiratórias durante a doença, os pesquisadores avaliaram o nível de imunidade das crianças a muitos vírus respiratórios comuns e emergentes, como o vírus sincicial respiratório(VSR), influenza e o enterovírus D68 (EV-D68), que pode causar mielite flácida aguda, doença semelhante à poliomielite.
As crianças inscritas receberam cuidados médicos de rotina enquanto participavam do estudo observacional. Após o fim das medidas pandêmicas, o nível de imunidade aumentou em todos os patógenos estudados, refletindo o ressurgimento generalizado sem precedentes desses vírus em crianças pós-pandemia.
O estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA e publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases.
O PREMISE é um estudo único, pois acompanhamos crianças muito pequenas, com o consentimento dos pais, por mais de um ano, para coleta de amostras longitudinais, o que nos proporcionou a oportunidade única de avaliar a imunidade devido à infecção primária, reexposição e até mesmo à vacinação, em um período em que a obrigatoriedade do uso de máscaras e outras intervenções não farmacêuticas foram suspensas
Resultados
Os primeiros resultados do estudo PREMISE mostraram que a maioria das crianças pequenas não tinha imunidade a muitos vírus respiratórios normais durante a pandemia, sugerindo que não haviam sido expostas, como normalmente seriam, devido às medidas de prevenção em vigor.
Os dados permitiram que os especialistas recriassem padrões de circulação anteriores e modelassem previsões para surtos futuros com maior precisão. Os pesquisadores mostraram que os dados do PREMISE de 2022-23 poderiam ser usados para prever com precisão a onda subsequente da doença do patógeno emergente EV-D68 que ocorreu em 2024.
“Os resultados do nosso estudo demonstram com sucesso a utilidade da vigilância imunológica longitudinal em crianças, particularmente crianças jovens imunologicamente ingênuas e não expostas, para ajudar a modelar o comportamento de vírus endêmicos”, disse a Dra. Perdita Permaul, professora de Pediatria Clínica e pesquisadora principal do estudo na Escola de Medicina da Universidade Cornell
Até o momento, os pesquisadores avaliaram quase 1.000 crianças por meio do estudo, sediado no Centro de Pesquisa de Vacinas do NIH, fornecendo um acervo valioso de amostras e dados que podem ser usados para descobrir quais partes dos vírus o sistema imunológico humano ataca para desenvolver imunidade.
Os pesquisadores afirmaram que as descobertas ajudam a explicar a grande recuperação pós-pandemia de doenças respiratórias e permitem previsões mais precisas para o futuro, facilitando o desenvolvimento de novos tratamentos com anticorpos e vacinas mais eficazes.
Essa abordagem permite o rápido desenvolvimento de vacinas e terapias com anticorpos monoclonais para patógenos de interesse em crianças. Análises futuras de amostras de sangue coletadas de quase 1.000 crianças inscritas no PREMISE incluem respostas de células T e B específicas para patógenos. A vigilância imunológica longitudinal em crianças pequenas é uma ferramenta importante para subsidiar o planejamento de saúde pública, avaliar a eficácia de intervenções farmacológicas e não farmacológicas, desenvolver terapias prontas para uso e mitigar a carga geral da doença
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica The Lancet Infectious Diseases (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Cornell (em inglês).
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