
Taryn Tieu et al., Cell Reports (com adaptação)
Distribuição da microglia (em verde) em condições basais. A partir da esquerda: período neonatal, fase adulta e durante a velhice.
Fonte
Catarina Ribeiro, Universidade de Coimbra
Publicação Original
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Resumo
Em modelo animal, cientistas usaram microscopia de dois fótons para visualizar como as micróglias respondiam a duas formas de lesões localizadas em diferentes fases da vida, desde o período neonatal até a velhice.
Observando a evolução morfológica e funcional das micróglias, os cientistas puderam compreender melhor a rapidez e a eficácia com que as células de defesa do cérebro respondem a lesões.
O novo conhecimento pode abrir caminho para novas abordagens terapêuticas para doenças neurológicas.
Foco do Estudo
Por que é importante?
As micróglias são células do sistema nervoso central, que assumem um papel essencial na defesa imunológica do cérebro, combatendo infecções e patógenos.
Embora as micróglias sejam determinantes para o funcionamento do cérebro, ainda há diversos aspectos sobre o seu comportamento ao longo da vida que permanecem desconhecidos.
Estudo
Sob a liderança da Dra. Vanessa Coelho-Santos, pesquisadora do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra, em Portugal, uma equipe de cientistas estudou como as micróglias se comportam desde o nascimento até o envelhecimento.
O estudo conseguiu desvendar que, ao longo da vida, as micróglias se alteram e se comportam de forma diferente perante lesões no cérebro.
“Neste estudo, em modelo animal, usamos um laser de alta precisão para causar danos localizados no tecido cerebral e, com a mesma potência, simular lesões vasculares que bloqueiam temporariamente o fluxo sanguíneo. Isso permitiu comparar as respostas microgliais a diferentes tipos de lesão ao longo da vida, concluindo-se que a idade tem um impacto marcante na morfologia e dinâmica das micróglias em resposta a diferentes tipos de lesões cerebrais”, explicou a Dra. Vanessa Coelho-Santos.
Foi neste contexto que a Dra. Vanessa Coelho-Santos – em colaboração com pesquisadores do Seattle Children’s Research Institute e da Escola de Medicina da Universidade de Washington – estudou a evolução morfológica e funcional destas células, desde o nascimento até a velhice.
Segundo a neurocientista, o estudo procurou “caracterizar a resposta das micróglias a duas formas de lesões localizadas, em diferentes idades ao longo da vida, um aspecto que até agora permanecia pouco explorado”.
Os pesquisadores usaram microscopia de dois fótons, uma técnica de imagem de fluorescência que permite visualizar estruturas em amostras biológicas com alta resolução ao longo do tempo.
Ao percebermos como é que as micróglias se distribuem e atuam na defesa do cérebro em diferentes fases da vida, acreditamos que podemos, futuramente, criar terapêuticas mais personalizadas
Resultados
No período neonatal – nos primeiros 28 dias de vida –, embora sejam mais dinâmicas, as micróglias apresentam uma reação tardia e exagerada à lesão.
Em contraponto, na idade adulta, as micróglias são bastante eficazes na resposta a lesões.
Já durante a velhice, as micróglias perdem complexidade e respondem a lesões de forma mais lenta.
“Esta variabilidade ajuda a explicar vulnerabilidades distintas ao longo da vida, como mecanismos associados a doenças do neurodesenvolvimento, quando há resposta inflamatória nas fases iniciais de vida, assim como déficits de resposta em idades avançadas”, destacou a Dra. Vanessa Coelho-Santos.
Os resultados da pesquisa, publicados na revista científica Cell Reports, podem abrir caminho para abordagens terapêuticas ajustadas à idade e ao tipo de lesão cerebral.
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Cell Reports (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Coimbra.
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