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Novo consenso de especialistas indica prevalência da demência no Brasil
16 de maio de 2025, 14:43

Fonte

Ligia Gabrielli, Unifesp

Publicação Original

Áreas

Assistência Social, Atenção Primária, Cuidados Paliativos, Epidemiologia, Gerontologia, Medicina, Neurociências, Neurologia, Psiquiatria, Saúde Mental, Saúde do Idoso

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Resumo

Um novo estudo publicado na revista científica International Journal of Geriatric Psychiatry estimou o número de pessoas com demência em todo o Brasil.

O trabalho é resultado de um consenso liderado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com a participação de especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), além da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

A pesquisa identificou que, em 2019, a prevalência média de demência por todas as causas foi de 8,5%, o que representava quase 2,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais que viviam com demência naquele ano. “Este é um ponto de partida para entendermos com mais clareza a verdadeira dimensão da demência no Brasil. Precisamos de mais pesquisas representativas para que possamos desenvolver estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento”, afirmou o Dr. Márlon Juliano Romero Aliberti, professor da FMUSP e primeiro autor do artigo.

“Estudo anterior nosso, de abrangência nacional, usando dados de uma amostra representativa da população brasileira acima de 60 anos identificou uma prevalência de 5,8% nesta faixa etária, enquanto que estudos originais populacionais feitos em cidades do Estado de São Paulo na última década mostram prevalência muito mais altas de 12 a 17%. Diante dessa discrepância e no contexto do relatório nacional achamos importante a realização de um consenso de especialistas de todo os Brasil, que resultou em uma prevalência intermediária de 8,5%”, afirmou a Dra. Cleusa Ferri, coordenadora do estudo, professora do Programa de Pós-Graduação de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e médica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Além dos dados publicados no artigo científico, o estudo integrou o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Unifesp.

O documento reúne projeções de prevalência e fornece diretrizes para aprimorar políticas públicas, incluindo o desenvolvimento de um fluxograma de identificação da demência na Atenção Primária à Saúde (APS). “Mapear a realidade da demência no Brasil é essencial para orientar políticas públicas eficazes e sustentáveis”, destacou a professora Cleusa Ferri.

Em um país de dimensões continentais e marcado por desigualdades sociais, os resultados apontam diferenças significativas entre as regiões. Enquanto para o Sul o consenso de especialistas apresentou a menor estimativa de prevalência (7,3%), para o Norte (8,9%) e o Nordeste (10,1%) esses índices são mais altos.

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, as perspectivas são preocupantes: o número de casos da condição deve aumentar 3,6 vezes até 2060, atingindo quase 9 milhões de pessoas.

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