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Fonte
Greta Harrison, Escola de Engenharia da Universidade do Sul da Califórnia
Publicação Original
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Resumo
Com a pretensão de reduzir os problemas biológicos, ecológicos e ambientais causados pelos plásticos e microplásticos nos oceanos, pesquisadores desenvolveram um novo polímero biodegradável e biocompatível a partir de ácido cítrico e carbonato de cálcio.
Os primeiros testes mostraram que o material possui propriedades mecânicas interessantes para aplicações industriais, ao mesmo tempo que sua biodegradabilidade e biocompatibilidade o isentam de ser nocivo á vida marinha.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Segundo a UNESCO, os resíduos plásticos representam 80% de toda a poluição marinha, com 8 a 10 milhões de toneladas métricas de plástico chegando aos oceanos a cada ano.
Um novo material que pudesse substituir os plásticos, com propriedades interessantes para os vários tipos de aplicações, mas também com alta degradabilidade e biocompatibilidade, poderia reduzir significativamente os danos causados pelos plásticos e microplásticos à vida marinha e à própria vida humana.
Estudo
Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos EUA, descobriram que um mineral comumente encontrado em conchas pode ser a chave para um novo material alternativo aos plásticos e mais seguro.
A pesquisa vem sendo liderada pela Dra. Eun Ji Chung, especialista líder em biomateriais e nanopartículas projetadas para aplicações médicas da Escola de Engenharia da USC.
Recentemente, pesquisadores de seu laboratório desenvolveram um novo material polimérico biocompatível e alternativo aos plásticos adicionando carbonato de cálcio (CC) de conchas marinhas ao poli(1,8-octanodiol-co-citrato) (ou POC) – um polímero biodegradável de ácido cítrico aprovado pela agência regulatória FDA nos EUA – que já vem sendo usado em dispositivos de fixação ortopédica. A pesquisa foi publicada na revista científica MRS Communications.
A Dra. Eun Chung destacou que a textura do polímero de ácido cítrico é pegajosa, como uma goma. Quando partículas de carbonato de cálcio são adicionadas, ele é aquecido e curado em um forno, formando um material semelhante ao plástico.
O material resultante, chamado POC-CC, está sendo testado em aplicações básicas.
A equipe considera que o novo material seria um substituto biocompatível e biodegradável aos plásticos, mantendo resistência suficiente para aplicações industriais mas também podendo se degradar em ambientes marinhos, não apresentando riscos à vida nos oceanos.
Embora nosso estudo atual tenha avaliado a biocompatibilidade do POC-CC usando algas Scenedesmus sp., pesquisas futuras podem incluir a avaliação da biocompatibilidade do POC-CC com organismos marinhos adicionais, como peixes-zebra e corais. No entanto, nosso desenvolvimento do POC-CC e esses resultados iniciais mostram a promessa do POC-CC como um novo material que pode ser usado como um substituto biodegradável de plásticos
Resultados
Em testes já realizados, o POC-CC foi sintetizado com concentrações variáveis de carbonato de cálcio. Ao longo de seis meses, os pesquisadores observaram vários fatores, incluindo a taxa de degradação na água do oceano e o efeito do material no pH da água após incubação prolongada.
“Nossos resultados mostram que a taxa de degradação aumenta com o aumento do teor de POC, e a adição de CC mantém o pH da água do oceano”, disse a Dra. Eun Chung.
Outro benefício do material é sua biocompatibilidade — não causa danos à vida marinha da mesma forma que os microplásticos. A equipe de pesquisa incubou um tipo de alga verde (Scenedesmus sp.) junto com o material POC-CC em água do oceano simulada durante seis meses. A equipe observou alta viabilidade celular, confirmando o fato de que o POC-CC é biocompatível com microrganismos marinhos.
A pesquisadora e sua equipe estão agora planejando uma versão aprimorada de segunda geração do material para tornar mais rápida sua degradação.
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica MRS Communications (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Escola de Engenharia da Universidade do Sul da Califórnia (em inglês).
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